A agência de classificação de risco Moody’s revisou para baixo nesta terça-feira a nota soberana do Brasil, embora tenha melhorado sua perspectiva.

A classificação da dívida brasileira caiu de Baa2 para Baa3, o último nível com grau de investimento, a um passo de cair para a categoria especulativa, informou a Moody’s em comunicado.

Para a agência, os resultados econômicos decepcionantes, o gasto público crescente e a falta de vontade do governo da presidente Dilma Rousseff de implementar reformas não parecem indicar um alívio do peso da dívida.

“Esse cenário impedirá às autoridades alcançar superávits primários suficientemente altos para deter e reverter a tendência à alta da dívida neste ano e no próximo”, indicou a Moody’s. A habilidade para resistir a choques externos e uma economia diversificada, consideradas “fortalezas”, impedem uma nota pior, apontou a agência.

“Atualmente as fortalezas do Brasil protegem suficientemente a folha de pagamentos do governo de choques durante o período de ajustes e recuperação para manter uma nota ainda palatável aos investidores”, segundo a agência com sede em Nova York.

“Entretanto, ainda há muita capacidade das instituições brasileiras para atingir as metas fiscais e monetárias, e sua habilidade para restaurar a confiança dos investidores e estimular o crescimento”, acrescentou.

Para o futuro, a agência demonstra otimismo.

Um ano depois de classificar a perspectiva da dívida como “negativa”, Moody’s elevou a “estável”, afirmando sua confiança de que o país tenha “habilidade de fazer uma mudança” em seu crescimento e seu desempenho fiscal.

Para a agência, embora haja riscos de que uma crise política atiçada pelos escândalos de corrupção piore os indicadores econômicos, há possibilidade de uma recuperação fiscal e econômica mais rápida do que o esperado.

Os indicadores não ameaçam o grau de investimento do Brasil, concluiu.

No dia 28 de julho, a agência Standard and Poor’s (S&P) reduziu a perspectiva de evolução da nota da dívida de longo prazo do Brasil, em “BBB-“.

Isso significa que a agência pode baixar no médio prazo a nota do Brasil, o que pode fazer cair a dívida brasileira para a categoria “especulativa”.

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