O presidente da Fundação Ulysses Guimarães, braço de formulação  política do PMDB, Wellington Moreira Franco, afirmou não ser “mãe Diná”  para opinar se e quando a presidente Dilma Rousseff  pode sair da  Presidência. Ele afirmou que o impeachment é o “instrumento mais severo  da Constituição” e depende de uma “posição robusta” da população. “Tanto  o Congresso quanto o Poder Judiciário são instâncias que operam com a  vontade da opinião pública”, disse.

Moreira disse que “há  um evidente desejo de mudança” na sociedade, mas que é necessário ver  como os fatos vão se desenrolar. O peemedebista, um dos principais  aliados do vice-presidente Michel Temer, tem defendido a saída do PMDB  do governo, a ser decidido em Brasília no próximo dia 29.

“Sempre  tivemos sentido da urgência, só que sempre temos como referência da  urgência a vontade da opinião pública”, disse em palestra a empresários  na capital paulista. “No impeachment do Collor, o PMDB foi o último  partido a entrar porque temos esse sentido da responsabilidade”,  afirmou. “Alguns leem isso como sendo oportunismo, querer protelar, não  definir. Não, é que o partido tem em seu DNA o cuidado de acompanhar o  movimento social”.

Economia

Moreira  Franco afirmou que, hoje, na visão do PMDB, o maior problema do País é a  economia. “Achamos que o problema do Brasil é a economia, o segundo  problema é a economia e o terceiro problema é a economia. Temos de achar  uma solução para o problema econômico urgentemente, pois custa muito do  ponto de vista econômico e, sobretudo, do ponto de vista social”,  afirmou.

Ele disse que o PMDB não pretende fazer  ”experimento científico” na economia em eventual governo de transição  comandado por Temer. “Não pretendemos criar uma nova matriz econômica,  mas usar os fundamentos que já tiveram sucesso”, disse, ao fazer  referência aos fundamentos que sustentaram o Plano Real no governo  Fernando Henrique Cardoso (PSDB) e ao citar a Carta ao Povo Brasileiro,  que mostrou o comprometimento inicial do governo Lula de manter os  pilares macroeconômicos.

Moreira Franco disse que a  conjuntura fiscal é crítica e que a dívida brasileira se aproxima em  ”velocidade enorme” a 70% do PIB. “E com taxa de juros absurdamente  alta, o que torna nosso problema pior que a Grécia.” Moreira defendeu a  redução de endividamento público e o controle das despesas de custeio.  ”Temos que ter como referência despesas que sejam inferiores ao  crescimento do PIB, para que a ideia da poupança seja incorporada.” O  peemedebista defendeu ainda que esse processo seja realizado sem aumento  de carga tributária e com estímulo a exportações.

Ele  afirmou ainda que é necessário “fazer uma revisão dos processos e  procedimentos orçamentários”, defendendo o orçamento impositivo.  ”Precisamos acabar com essa coisa de emendas”, afirmou. E defendeu  também uma “reorganização da máquina que permita transparência e métodos  de governança”. Como exemplo de governança, Moreira Franco defendeu que  o governo não indique mais conselheiros e presidentes de companhias  estatais.

O aliado de Michel Temer tocou também em um ponto  polêmico para o governo Dilma, dada a oposição do PT ao tema: a reforma  da Previdência Social. “Precisamos ter coragem para enfrentar a reforma  da Previdência”, disse. Segundo Moreira Franco, até aqui o País só  adotou medidas “meia sola” nesta questão.

Pacificação 

O  presidente da Fundação Ulysses Guimarães criticou o embate entre  governo e oposição no Congresso, com pautas “bomba” e falta de rumo no  governo. Segundo ele, esses pontos não permitem o País sair da crise.

Moreira  afirmou que é tão fundamental quanto o equilíbrio fiscal “pacificar a  sociedade brasileira”. “Esse desafio de se encontrar ambiente de  unidade, de compreensão, de possibilidade de diálogo, mesmo na  divergência, é fundamental para promover essa passagem pela ponte e  alcançarmos o outro lado”, afirmou em referência ao programa do PMDB  intitulado “Ponte para o Futuro”.

Sobre o combate à  corrupção, em referência indireta à Lava Jato, o peemedebista disse que o  problema chegou a um “nível intolerável” e que “a questão da corrupção  está colocada definitivamente na agenda do povo brasileiro”. Várias  lideranças do PMDB são alvos de investigação e o presidente da Câmara,  Eduardo Cunha (PMDB-RJ), tornou-se o primeiro réu entre os parlamentares  investigados por desvios na Petrobras.