Ao aceitar nesta terça-feira, 10, a denúncia contra o ex-senador Gim  Argello (PTB-DF) e oito empreiteiros acusados de pagar propina para  evitar convocação nas CPIs da Petrobras no Senado e no Congresso em  2014, o juiz Sérgio Moro, responsável pela Lava Jato, decidiu que não  haviam provas suficientes para tornar réus o empreiteiro Marcelo  Odebrecht e o executivo Cláudio Melo Filho, ligado à Odebrecht.

É  a primeira vez que Moro rejeita uma denúncia da força-tarefa da Lava  Jato contra Marcelo Odebrecht, já condenado a 19 anos e quatro meses de  prisão na Lava Jato por corrupção, lavagem de dinheiro e organização  criminosa e atualmente réu em outra ação penal da operação.

“A  parte da imputação relacionada ao pagamento de vantagem indevida pela  Odebrecht a Jorge Afonso Argello assenta-se em prova demasiadamente  frágil”, assinalou o juiz da Lava Jato após analisar a parte da denúncia  que envolve os executivos da maior empreiteira do País.

Na  denúncia contra Argello, o Ministério Público Federal acusa um total de  11 pessoas, sendo dois executivos da Odebrecht (Marcelo e Cláudio). Em  relação a eles, a força-tarefa aponta reunião de Argello com  empresários, incluindo Cláudio Melo Filho, então da Odebrecht, relatada  por um dos executivos da Andrade Gutierrez em delação premiada. No  encontro o então senador teria relatado aos empreiteiros sua preocupação  de que as CPIs da Petrobras prejudicassem as empresas. Para Moro,  ”apesar do teor estranho da conversa”, o delator declarou que naquela  ocasião não houve pedido de doações eleitorais, o que teria ocorrido em  outro encontro, sem a participação de executivos da Odebrecht.

“Fora  isso, há registro de ligações telefônicas entre Cláudio Melo Filho e  Jorge Afonso Argello, além de uma doação de R$ 200.000,00 ao Partido da  República, que integrava a Coligação União e Força nas eleições  distritais de 2014 e da qual participava Jorge Afonso Argello como  candidato a senador”, segue o magistrado, que avalia ainda que, mesmo  que o valor possa ser propina, “não há elementos suficientes a amparar  uma denúncia”.

“O fato de dirigentes da Odebrecht estarem  envolvidos no esquema criminoso da Petrobras com pagamentos a diretores  da empresa, conforme sentença prolatada na ação penal  5036528-23.2015.4.04.7000, não altera o quadro, pois cada fato demanda  provas individualizadas”, conclui Moro, ressaltando ainda que, caso  surjam novas evidências neste caso, os executivos da empreiteira podem  se tornar réus também.