O marqueteiro João Santana – responsável pelas campanhas do  ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, em 2006, e nas campanhas da  presidente Dilma Rousseff em 2010 e 2014 – é suspeito de ter oculto  dinheiro ilegal recebido da Odebrecht na compra de um apartamento de R$ 3  milhões, em São Paulo.

O juiz federal Sérgio Moro, que  conduz os processos da Lava Jato, decretou o sequestro do imóvel a  pedido da força-tarefa do Ministério Público Federal e da Polícia  Federal.

“Identificamos, com auxílio da Receita Federal que  João Santana adquiriu um apartamento em São Paulo de R$ 3 milhões, que  parecia incompatível. O valor saiu da empresa Polis”, afirmou o delegado  da PF Filipe Hille Pace.

Segundo ele, apesar da compra ter  sido declarada em nome da Polis, foi identificado por acordo de  cooperação com o Citibank em Nova Iorque, um pagamento de US$ 1 milhão  para o dono do apartamento.

A 23ª fase da Lava Jato tem  como foco central os pagamentos da Odebrecht e do operador de propinas  Zwi Skornicki para contas secretas do marqueteiro João Santana e de sua  mulher e sócia, Mônica Moura.

O casal seria controlador da  offshore Shellbill Finance SA, aberta no Panamá. A conta recebeu pelo  menos US$ 3 milhões entre 2012 e 2013 que teria relação direta com o PT.

“Nossa  suspeita é que ele (Santana) usou parte do dinheiro que ganhou da  Odebrecht para adquirir imóvel no Brasil. Há indícios de que ele tenha  adquirido com recursos espúrios, traduzindo atos de lavagem”, afirmou o  delegado, em entrevista coletiva concedida na manhã desta segunda-feira,  em Curitiba.