O cineasta Blake Edwards, ganhador do Oscar e famoso por filmes como os da série “A Pantera Cor-de-Rosa” e a comédia romântica “A Mulher Nota 10”, morreu aos 88 anos, informou seu agente nesta quinta-feira.

Edwards trabalhou com lendas do cinema como Audrey Hepburn, Cary Grant, Tony Curtis e Jack Lemmon, em uma carreira que se estendeu por mais de meio século.

Mas provavelmente ele seja mais conhecido pela série “A Pantera Cor-de-Rosa”, inciada em 1963, na qual o desajeitado inspetor Clouseau, interpretado pelo ator britânico Peter Sellers, caça o aristocrático ladrão de jóias Sir Charles Lytton, interpretado por David Niven.

Ele também dirigiu a estonteante Bo Derek em “Mulher Nota 10” (1979), filme estrelado também por Dudley Moore.

Em 2004, a Academia de Artes e Ciências Cinematográficas de Hollywood, que concede as cobiçadas estatuetas douradas, premiou Edwards com um Oscar honorário pelo conjunto de sua obra.

Seu agente, Lou Pitt, confirmou uma notícia divulgada pela revista “Variety”, especializada na indústria do cinema, que anunciou a morte de Edwards.

Segundo o noticiário “Entertainment Tonight” e o site do programa na internet, Edwards morreu em Santa Monica, na quarta-feira, vítima de complicações de uma pneumonia, e estava acompanhado da esposa, a atriz Julie Andrews.

Nascido William Blake Crump em Tulsa (Oklahoma), em 26 de julho de 1922, Edwards era enteado do diretor de teatro Jack McEdwards. Ele cresceu influenciado pela indústria cinematográfica, frequentou a escola com filhos de astros de Hollywood e hospedou Mickey Rooney.

Após uma curta passagem como ator, Edwards se especializou em atividades atrás da câmera, como roteiro, direção e produção. Ele começou a carreira como escritor de roteiros para um programa de detetive para a rádio, no qual revelou seus primeiros lampejos de humor.

Os filmes da série “Pantera Cor-de-Rosa” – e o marcante tema musical de Henri Mancini – se tornaram sucessos de bilheteria imediatos, embora Edwards nem sempre tenha se dado bem com Sellers.

Os dois se estranhavam no set, mas Edwards permitiu que Sellers fizesse de Clouseau um estabanado e colocou o personagem no centro da trama.

A ideia funcionou. Eles fizeram juntos sete filmes entre 1964 e 1978. Mas o relacionamento entre os dois azedou e na época da morte de Sellers, em 1980, Edwards trabalhava em um novo filme sobre o inspetor francês sem seu astro.

“Peter Sellers virou um mostro. Ele ficou entediado com o papel e ficou furioso, tornou-se taciturno e antiprofissional”, contou Edwards, em comentários ao site da indústria cinematográfica imbd.

“Ele não aparecia para trabalhar e começou a colocar a culpa em todo mundo, sem parar por um momento sequer para ver se deveria ou não culpar a si próprio por sua própria raiva, por sua própria loucura”, emendou.

Por fim, Edwards dedicou-se ao trabalho com a esposa, despindo Andrews da imagem de quase santa do personagem Maria, protagonista do musical “A Noviça Rebelde”, e tornando-a a intérprete de um “cross-dresser”, em “Vitor ou Vitória” (1982).

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