O assassinato de Osama Bin Laden aparentemente deu ao presidente Barack Obama o fôlego de que precisava e garantiu uma melhoria dos índices de confiança do povo americano, como as pesquisas demonstram, mas os analistas duvidam que isso vá facilitar seus muitos outros desafios da política externa.

Segundo pesquisa da rede CBS e do jornal The New York Times publicada nesta quarta-feira, e realizada com 532 pessoas na segunda e terça-feira, após o ataque de domingo das forças especiais contra o líder da Al-Qaeda no Paquistão, 57% dos americanos agora aprovam o trabalho de Obama, contra os 46% do início de abril.

Obama registrou assim seus melhores resultados em matéria de luta contra o terrorismo: 72% dos entrevistados disseram concordar com sua atuação neste tema, enquanto 61% aprovaram sua gestão da situação no Afeganistão, uma alta de 17 pontos em relação a janeiro.

Outras pesquisas confirmaram a alta do índice de confiança de Obama, mas de forma mais modesta: o jornal The Washington Post e o instituto Pew o avaliaram em 56%, ganhando nove pontos, enquanto a CNN/Opinion Research estimou em 52%, contra os 48% do início de abril.

A pesquisa Gallup, cujas variações são avaliadas sobre três dias, registrou apenas um aumento de um ponto, a 47%.

No entanto, os estudos preveniram sobre o possível caráter efêmero destes resultados: o índice de confiança do antecessor de Obama, George W. Bush, aumentou em dezembro de 2003, quando Saddam Hussein foi morto, mas voltou a cair no mês seguinte.

Quando vivo, o líder da Al-Qaeda era “um símbolo no mundo árabe e muçulmano, era visto como um revolucionário da oposição antiamericana”, escreveu Daniel Byman, analista da Brookings Institutuion.

“A morte de Bin Laden marca o fim de uma saga e deixa um recado: os Estados Unidos serão implacáveis na caça dos inimigos”, diz Byman

O ex-diplomata James Collins disse à AFP que o sucesso da missão “reafirma as credenciais e as capacidades (de Obama) como um líder de segurança nacional”

“Obama mostrou que pode ser um presidente duro e efetivo”, comenta Collins, analista da Fundação Carnegie para Paz Mundial.

“E eu acho que ele (Obama), provavelmente, vai ser levado em conta por pessoas que duvidavam de sua capacidade para tal feito”, acrescenta.

“No entanto, eu não tenho certeza de que isso o ajude tanto, ou que possa mudar muito os assuntos que ainda vamos enfrentar no Oriente Médio, como as questões nucleares no Irã e Coreia do Norte”, conclui Collins.

Além do mais, a incursão ousada das forças americanas em Abbottabad levantou novas questões sobre o Paquistão como aliado americano e a capacidade do país em colaborar na busca por suspeitos de participarem da Al-Qaeda.

Richard Haass, ex-funcionário do Departamento de Estado americano destaca que o homem mais procurado do mundo estava morando numa cidade bem povoada, numa casa fortificada e próxima a uma academia militar. Ele afirma que este é o momento da verdade para os laços entre EUA e Paquistão.

“Fosse um caso de cumplicidade ou de desconhecimento do governo paquistanês, nenhuma das conclusões é tranquilizadora”, acrescenta Haass.

Gilles Dorronsoro, analista da Fundação Carnegie para a Paz Mundial, alerta que no Afeganistão os talibãs têm conseguido vantangens no campo de batalha. No entanto, em artigo do New York Times, ele afirma que a morte de Bin Laden pode facilitar a retirada das tropas americanas do país. Esta pode ser a hora de tentar uma aproximação e uma negocioação com os Talibãs menos organizados.

Michael O’Hanlon, analista de segurança da Brookings Institutuion, descorda. “A operação dá suporte (ao presidente Obama), mas não dá o direito de perder a guerra no Afeganistão. Ainda há muitos sobreviventes da Al-Qaeda e não podemos vê-los ter uma grande base lá e darmos a chance de pôr tudo a perder”.

“Negociar com o Talibã seria bom, mas é preciso de dois para dançar um tango. Na verdade, no caso deles é preciso três ou quatro, incluindo Cabul e Islamabade”, explicou O’Hanlon por e-mail à AFP.

Com Bin Laden morto, os analistas Rick “Ozzie” Nelson e Ben Bodurian, do Centro de Estudos Estratégicos Internacional, escreveram que a administração de Obama deve continuar “batendo contra as premissas da Al-Qaeda” com a intenção de negar a sustentação ideológica da rede.

“Eles devem continuar apontando a maldade, a insensatez absoluta e a crueldade dos assassinatos de civis muçulmanos” afirmaram no site da BBC. cs/lc/sh/cn