A General Motors reconheceu nesta segunda-feira que pelo menos 100 pessoas morreram como resultado do sistema de ignição com defeito em alguns de seus carros mais antigos.

O fundo de indenização independente da GM, dirigido pelo advogado Kenneth Feinberg, disse em seu relatório semanal que os pedidos de indenização por 37 mortes e 537 casos de lesões permanecem sob avaliação.

Os interruptores defeituosos podem levar a ignição a mudar involuntariamente para fora da posição “ligado”, desabilitando airbags e outras funções. A GM soube do problema de ignição mais de dez anos antes de começar a fazer o recall de 2,6 milhões de carros no mundo, em fevereiro de 2014.

Quando deu início ao recall, a maior montadora dos Estados Unidos havia reconhecido que pelo menos 13 mortes estavam ligadas à falha de ignição.

O fundo disse ter recebido 4.342 pedidos de indenização por mortes e lesões relacionadas ao equipamento defeituoso desde o início do processamento de pedidos em 1 de agosto de 2014, até o prazo final para apresentação, em 31 de janeiro.

Nesta segunda-feira, o fundo informou que há pelo menos 12 casos confirmados de lesões incapacitantes, como danos cerebrais ou dupla amputação, como resultado de acidentes relacionados à ignição, o mesmo número que há uma semana. Cinquenta e duas reivindicações dessa categoria estavam sob avaliação.

O número de pedidos elegíveis para hospitalização ou tratamento médico ambulatorial aumentou de cinco para 172. O fundo está avaliando 537 desses tipos de reivindicações.

A GM vai pagar um mínimo de 1 milhão de dólares em indenizações por morte, 300.000 dólares para o cônjuge sobrevivente e outros 300.000 dólares para cada dependente sobrevivente.

Compensações financeira e médica de pelo menos 20.000 dólares também serão oferecidas para aqueles com reivindicações de ferimento físico causado por acidente.

Os requerentes devem renunciar a quaisquer direitos de litígios relacionados ao defeito de ignição para receber o pagamento da indenização.

A GM, terceira maior montadora do mundo depois da japonesa Toyota e da alemã Volkswagen, reservou 400 milhões de dólares para o pagamento das indenizações.

A GM enfrenta uma série de sindicâncias abertas pelo longo atraso do recall, inclusive por parte do Departamento de Justiça, do Congresso e da Comissão de Valores Mobiliários, bem como inúmeras ações judiciais.

Em meados de abril, um juiz decidiu que o pedido de falência da GM em 2009 isentava a montadora das ações judiciais que buscam tornar a GM pós-falência responsável por certas reivindicações relacionadas à ignição que datam de antes da falência.