A mosca-da-bicheira do Novo Mundo voltou ao centro das preocupações da cadeia pecuária americana após a confirmação de uma infestação em um animal silvestre no Texas, na quarta-feira (21). O risco econômico envolve perdas de animais e aumento dos gastos necessários para controlar a praga.

O caso foi identificado em um cervídeo abatido por um caçador em uma fazenda de caça no condado de Pecos. O Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA) confirmou a ocorrência e informou que as autoridades ampliaram a vigilância sobre a fauna na região.

Impacto econômico pode chegar a US$ 1,8 bilhão no Texas

Uma estimativa do USDA indica que um surto de dimensão semelhante ao registrado no Texas em 1976 poderia custar US$ 732 milhões por ano aos produtores. O impacto total sobre a economia estadual poderia alcançar US$ 1,8 bilhão.

Os valores foram corrigidos pela inflação para dólares de 2024. São referências de impacto potencial, não um balanço das perdas do surto atual.

O próprio departamento ressalta as limitações da comparação. O tamanho dos rebanhos e as práticas veterinárias mudaram desde o episódio histórico. A extensão da infestação e os custos da resposta sanitária influenciam o resultado econômico.

Prejuízos vão além da morte de animais

As larvas da mosca-da-bicheira se alimentam de tecido vivo, comprometendo a saúde dos animais e a produção pecuária.

Para os criadores, o impacto inclui despesas maiores com atendimento veterinário e medicamentos. A inspeção dos rebanhos e o tratamento dos animais infestados exigem trabalho adicional, elevando os custos operacionais.

A resposta à praga demanda recursos públicos para vigilância e pesquisa. A produção e a liberação de insetos estéreis integram esse esforço de controle.

Restrição ao gado mexicano pressiona oferta de carne

O avanço da praga da América Central em direção ao norte, passando pelo México, levou os Estados Unidos a restringir as importações de gado mexicano.

Washington suspendeu as compras em 2025 e retomou o comércio em agosto de 2026 por um porto de entrada no Arizona, dentro de um plano de reabertura gradual.

A interrupção contribuiu para reduzir a disponibilidade de gado no mercado americano e elevar os preços da carne bovina a níveis recordes, conforme reportagem da Reuters.

USDA diferencia infestação de risco à segurança dos alimentos

Embora a praga represente uma ameaça à pecuária e à fauna, o USDA afirma que o abastecimento de alimentos dos Estados Unidos permanece seguro.

A preocupação econômica se concentra na preservação dos rebanhos e nos gastos para impedir a disseminação. As restrições comerciais acrescentam pressão sobre a oferta de animais.

Histórico de erradicação inclui novos surtos

A mosca-da-bicheira do Novo Mundo tornou-se um problema relevante no sudeste americano na década de 1930. Os programas de controle avançaram com o desenvolvimento da Técnica do Inseto Estéril, que impede a reprodução da população de moscas.

A erradicação foi alcançada no sudeste em 1959 e no sudoeste em 1966. Surtos posteriores motivaram a cooperação entre Estados Unidos e México.

Em 2016, uma nova ocorrência atingiu cervos nas ilhas Florida Keys. A liberação de moscas estéreis ajudou a eliminar o surto no início de 2017.

No caso confirmado agora em Pecos, as autoridades informaram que ajustarão a zona de infestação e ampliarão o monitoramento de animais silvestres.

Com Reuters e informações do USDA.

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