Repasses feitos pelo Instituto Lula para duas empresas de filhos do  ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, a G4 e a FlexBr, estão entre os  alvos da Operação Aletheia, 24ª fase e ápice da Lava Jato, deflagrada  nesta sexta-feira, 4.

“O Instituto Lula pagou mais de R$ 1  milhão para a G4 do filho do ex-presidente”, afirmou o procurador da  República Carlos Fernando Santos de Lima, em coletiva nesta sexta-feira,  4, na sede da Polícia Federal, em Curitiba.

Os  investigadores estão apurando se os pagamentos foram realizados por  serviços prestados ou forma de ocultar propina. O Instituto Lula e a  LILS Palestras receberam R$ 30 milhões de empresas, entre elas as  maiores empreiteiras acusadas de corrupção e cartel na Petrobras – OAS,  Odebrecht, Camargo Corrêa, Andrade Gutierrez, UCT e Queiroz Galvão.

“Investigamos  se houve prestação de serviços ou se isso não é apenas uma triangulação  para benefício da família do ex-presidente”, afirmou o procurador.

Segundo  Carlos Lima, os pagamentos à LILS Palestras e as doações ao Instituto  Lula abrangem o período em que o petista foi presidente e mesmo após o  período de oito anos que ele ocupou o Palácio do Planalto. “Hoje nos  estamos analisando evidencias de que o ex-presidente e sua família  receberam vantagens para eventual consecução de atos dentro do governo. É  uma hipótese investigativa”, disse.

Organização criminosa

O  procurador Santos Lima disse que a operação Lava Jato mira em uma  ”organização criminosa infiltrada dentro do governo federal que se  utilizava da Petrobras e de outras empresas para o financiamento  político e também para apropriação pessoal”.

O procurador  disse que a organização “certamente possui um comando”. “Nós já fizemos a  acusação que o ex-ministro José Dirceu (preso na Lava Jato desde agosto  de 2015) fazia parte desse comando com o ex-tesoureiro Vaccari (João  Vaccari Neto, também preso), entre outros. Mesmo após a prisão do  ex-ministro, no caso mensalão, a organização criminosa continua  existindo. Fazemos uma investigação da continuidade dessa cadeia de  comando.”

O procurador foi enfático. “Hoje, nós estamos  analisando evidências de que o ex-presidente (Lula) e sua família  receberam vantagens para, eventualmente, a consecução de atos dentro do  governo. Isso ainda é uma hipótese investigativa. Existem evidências de  pagamentos de vantagens. Não há nenhuma motivação plausível para esses  pagamentos de vantagens”, ponderou.

“Nós temos os favores  feitos pelas empreiteiras OAS e Odebrecht e um sítio (em Atibaia) que  nós estamos investigando a propriedade, mas acreditamos até o momento  ser do sr. Luiz Inácio. E também temos bem claro que houve pagamentos de  benfeitorias no tríplex, no Guarujá. Outros dados, inclusive,  beneficiando familiares também estão sob investigação.”