Parabéns. Você acaba de receber a tão esperada promoção. Salário mais alto, autonomia e doses extras de motivação profissional para encarar a nova função. Só há um detalhe: a proposta inclui a transferência de país ou, vá lá, de cidade. Eis o problema. A família topará a nova empreitada? A mulher ou o marido conseguirá um bom emprego no exterior? Os filhos vão se adaptar a outra cultura? E como será a nova rotina? Um turbilhão de conflitos navega entre os interesses da vida pessoal e a carreira ? além do medo em dizer não à proposta. É uma situação difícil. ?Não é preciso entrar em pânico, tudo é negociável?, diz Robert Wong, sócio diretor da Korn/Ferry Internacional do Brasil, empresa de recrutamento de altos executivos. Converse com o parceiro, com a garotada, com os amigos e, claro, aproveite para pleitear benefícios com as empresas. ?Se todos cederem um pouco, os impactos negativos ficam irrisórios.? Há dois meses, a executiva da multinacional sueca Tetra Pak, Heloísa Rios, de 30 anos, testou essa fórmula num momento de extremo impasse. A convocação para assumir o escritório regional da companhia em Belo Horizonte chegou praticamente junto com o pedido de casamento do namorado paulistano. ?A empresa me deu um tempo para decidir?, lembra. Depois chegou a hora de conversar com o noivo, que também ocupa cargo de destaque numa companhia americana em São Paulo. ?Fiquei aliviada quando ouvi que ele me apoiaria se eu falasse sim ou não.? Dilema resolvido. Os convites para a cerimônia já estão prontos. Em setembro, Heloísa trocará a aliança de mão. O marido ficará em São Paulo. Mas e a carreira? ?O mercado mineiro tem potencial?, diz a executiva. Na nova rotina, o aeroporto virou um grande aliado. Todas às sextas-feiras à noite, ela está de prontidão no embarque para São Paulo. ?Quando decidimos nos casar, sabíamos que uma transferência fazia parte da carreira dos dois?, conta. ?Só não imaginávamos que fosse tão rápido.?

Entre casais de executivos, um rodízio de oportunidades profissionais, priorizando a carreira de um ou de outro, pode ser uma boa solução para enfrentar uma transferência, sugere Luciana Sarkozy, da Carrer Center, empresa de planejamento de carreiras. Na negociação é crucial deixar claro as condições financeiras. De preferência, assine em contrato. Haverá subsídio para os primeiros gastos com moradia e transporte? É bom evitar a compra de imóveis. ?Se for necessário voltar rapidamente, a burocracia para se desvencilhar dos bens será um transtorno?, diz Luciana. Quem já rodou os cinco continentes a trabalho, como o economista espanhol Rafael Viñas, professor da BSP ? Business School lembra de um outro cuidado: a prole. Viñas, que foi da equipe internacional do Citibank (morou na Espanha, África do Sul, Estados Unidos, Austrália, Chile e atualmente está no Brasil) sempre carregou a esposa e os três filhos nas suas andanças. ?A partir da adolescência, a adaptação fica mais difícil?, ensina. Em 1995, a esposa, brasileira, decidiu parar. Com os filhos, ela fincou moradia em São Paulo. Então, Viñas passou a viajar sozinho. Ele fez uma adaptação na carreira. Virou consultor e professor. A temporada fora do País ficou reduzida. Atualmente, não passa mais do que três meses no exterior. ?Consegui o equilíbrio ideal?, diz.