O primeiro garoto-propaganda da Hugo Boss do Brasil, Emerson Fittipaldi, parece ter inspirado não só os consumidores locais a usarem os ternos bem cortados da grife. A própria empresa entusiasmou-se com o piloto, acelerou no mercado e aumentou velozmente os negócios. Em 1995, as coleções chegaram a ser vendidas em 150 lojas franqueadas e outras 3 mil do sistema de multimarcas, alcançando as praças mais importantes do País. Tudo, então, ia bem para a companhia, certo? Na avaliação da matriz na Alemanha, não era bem assim. O principal problema estava localizado justamente nessa expansão espetacular e foi preciso pisar no freio. ?As lojas eram pequenas, os franqueados despreparados e as coleções apresentadas eram reduzidas?, afirma Claus Reinhardt, executivo alemão convocado para assumir ? e virar do avesso ? os negócios por aqui. Em cinco anos, remodelou tudo: fechou unidades e abriu outras, ampliou o número de peças à venda e incorporou novas etiquetas da empresa. Com a reforma, até o final do ano, as vendas deverão subir para R$ 70 milhões, 20% a mais do que em 2000. Hoje, o País ocupa o 12o lugar em vendas no mundo. ?Nos próximos cinco anos, vamos multiplicar a receita por cinco?, avisa.

Pilotando mais devagar, o alemão conseguiu façanhas como fazer com que o Brasil fosse eleito para abrigar uma megaunidade, de dois mil metros quadrados. A loja está sediada em São Paulo. Atualmente, só existem outras do mesmo porte em locais como Nova York (EUA), Londres (Inglaterra), Paris (França) e Milão (Itália). Outro privilégio brasileiro: sediar, no início de 2001, junto a outros 29 países (dos 105 onde a Hugo Boss atua), o lançamento da Boss Woman, que marcou o ingresso no universo da moda feminina. Vem mais por aí. Em junho de 2002, será aberta em Belo Horizonte (MG) a maior loja do mundo (300 metros quadrados) de shopping center.

Recomendações. Essa reviravolta teve um forte aliado. Quando ainda era vice-presidente da Hugo Boss, Werner Baldessarini ? hoje no comando da grife ? defendeu a reorganização dos negócios e a ampliação dos investimentos no Brasil. Reinhardt seguiu à risca as recomendações. Fechou quase todas as unidades e concedeu
novas licenças a interessados com maior capacidade de
investimento ? pelo menos R$ 2,5 milhões, sem o ponto comercial. Seguiu ainda um dos pontos mais importantes da estratégia mundial: incorporar etiquetas para rejuvenescer a marca e oferecer produtos mais acessíveis ? alguns com preços até 30% menores. De 1999 para o ano passado, a receita mundial subiu de um valor
equivalente a R$ 1,4 bilhão para R$ 1,8 bilhão. Para 2001, deverá superar os R$ 2 bilhões.