Era para ter um brilho intenso. Quando as estrelas de Mercedes-Benz e Chrysler se juntaram sob a sigla DaimlerChrysler, em 1998, esperava-se uma união iluminada, uma fusão que colocaria sob a mesma constelação duas das marcas mais famosas do mundo. Até agora, os astros estão ofuscados. A Chrysler acumula prejuízos de US$ 2 bilhões, suas ações estão na lona e seus problemas contaminam a nave-mãe. Em conseqüência dos maus resultados da montadora americana, o lucro operacional da matriz caiu 49% em 2000, atingindo US$ 4,9 bilhões. Diante da situação,. o presidente mundial do grupo, Jurgen Schrempp, ordenou o enxugamento de atividades deficitárias. O Brasil foi atingido em cheio. No mês passado, a Chrysler anunciou o fechamento de sua fábrica em Campo Largo (PR), encerrando a produção das picapes Dakota. Na última semana, as atenções se voltaram para a fábrica da Mercedes em Juiz de Fora (MG). A unidade já havia frustrado as expectativas de produção e geração de empregos e o jornal alemão Die Welt tratou de acender o pavio. Em artigo publicado na última se-mana revelou que a matriz tinha duas saídas para Juiz de Fora: levar alguma montadora para dividir a produção ou desistir do Brasil.

Segundo o diário alemão, uma das possibilidades é de transferir para a coreana Hyundai parte da linha de montagem. A fábrica de Juiz de Fora foi projetada para produzir 70 mil veículos. Atualmente, apenas 10 mil modelos Classe A e Classe C saem das máquinas da montadora. ?O classe A não vende?, atesta Geraldo Werneck, diretor do sindicato dos metalúrgicos de Juiz de Fora. Estima-se que o prejuízo da Mercedes esteja na casa de R$ 250 milhões.

Desastre. A companhia de outra fabricante resolveria em parte a ociosidade da fábrica e traria benefícios para os alemães. Para a Hyundai, que assinou um protocolo de intenções com o governo brasileiro, é a fórmula ideal para produzir no País e evitar a multa de R$ 120 milhões que será aplicada se ela não honrar o compromisso. Procurados por DINHEIRO, executivos da Mercedes e Chrsyler não quiseram se manifestar. O departamento de comunicação disse apenas que a Chrysler está resolvendo as pendências com concessionários, empregados e o governo do Paraná e que a Mercedes não comenta boatos.

A fábrica transformou a cidade mineira. A estrela alemã arrastou para o município grandes cadeias de supermercados, redes de hotéis e até um novo aeroporto foi construído. ?O fim da fábrica seria desatroso?, diz Werneck. Hoje, a unidade tem 1,5 mil empregados diretos. Teria capacidade de chegar a 2,5 mil. ?A Mercedes disse que traria 30 empresas de autopeças. Não veio nem a metade e quem veio foi embora, como a Marelli?, revela Werneck. Se a Mercedes desistir terá que ainda que acertar as contas com o governo de Minas Gerais, que ofereceu generosos incentivos fiscais.