Em manifestação encaminhada ao Supremo Tribunal Federal (STF), a  Advocacia-Geral da União (AGU) alegou que a mudança no ensino médio  brasileiro é “urgente e inadiável” do ponto de vista educacional, o que  justifica a edição de uma medida provisória para tratar do tema. Para a  AGU, caso o Palácio do Planalto optasse por fazer a reforma por meio de  um projeto de lei, as discussões parlamentares poderiam se alongar por  ”décadas”.

A manifestação da AGU foi feita no âmbito da  ação direta de inconstitucionalidade ajuizada pelo PSOL, que quer  suspender imediatamente a medida provisória editada pelo governo Michel  Temer que reforma o ensino médio.

Para o partido, a medida  promove “verdadeiro retrocesso social” e usurpa a competência do Poder  Legislativo de elaborar normas. O PSOL também alega que, embora trate de  um tema relevante, a edição da medida provisória não cumpre o requisito  constitucional da urgência.

No final de setembro, o ministro do STF Edson Fachin decidiu pedir explicações ao presidente Michel Temer sobre a matéria.

“Ao  contrário do advogado pelo PSOL, a mudança no ensino médio brasileiro é  urgente e inadiável do ponto de vista educacional, social, econômico e  legal, não podendo mais esperar, diante do considerável número de jovens  que se encontram fora da escola, da desvinculação entre o que estava  sendo ensinado nas escolas e as aptidões e os interesses dos alunos, e  do consequente mau desempenho educacional daqueles que fazem parte dos  sistemas de ensino”, diz o parecer da AGU, assinado por Oswaldo Saraiva  Filho, assessor da Consultoria-Geral da União.

Segundo a  AGU, a medida provisória prevê a adoção de medidas já em 2016, com vista  ao cumprimento de etapas essenciais em 2017 e a implantação do novo  modelo no início de 2018.

Em seu parecer, a AGU destaca  que o resultado do Índice de Desenvolvimento da Educação Básica (Ideb)  já apontava que o modelo do ensino médio “se encontrava fora das  necessidades da sociedade, que, aliás, anseia por uma educação de  qualidade, que capacite melhor o estudante para o ingresso e  desenvolvimento no mercado de trabalho”.

“O PSOL, sem nada  comprovar, simplesmente apresenta sua discordância da reforma do ensino  médio, promovida pela guerreada medida provisória, sendo que a mera  apresentação dessa discordância do critério político adotado pelo  diploma legal impugnado não é suficiente para a tornar  inconstitucional”, sustenta a AGU, ressaltando que o novo modelo  proposto pela medida provisória atende os anseios da sociedade e da  economia brasileira por mão de obra qualificada.

Responsabilidade

Em  outro parecer, elaborado pela Subchefia para Assuntos Jurídicos da Casa  Civil da Presidência da República, o Palácio do Planalto alega que a  edição de uma medida provisória “expressa na verdade a responsabilidade  do governo diante do dever de prestar o ensino de qualidade”.

“Entender  que não há urgência na regulação desta matéria significa entender que a  educação não é política pública de prioridade do Estado brasileiro”,  sustenta a Casa Civil.