17/07/2015 - 12:33
A substituição dos principais executivos incumbidos da missão de ajustar as contas e operações da PDG Realty pode ser reflexo negativo do andamento da reestruturação da companhia, de acordo com especialistas. Na quinta-feira, 16, foi informada a saída de Carlos Augusto Leone Piani da PDG, cujo cargo de diretor presidente será ocupado por Márcio Tabatchnik Trigueiro.
A mudança ocorreu menos de um mês após Marco Racy Kheirallah deixar a posição de diretor vice-presidente financeiro e de relações com investidores. Em um primeiro momento, Rafael Rodrigues do Espirito Santo manteve interinamente o cargo de diretor vice-presidente financeiro, mas passará a cadeira para Maurício Fernandes Teixeira. Segundo o comunicado da empresa, o executivo permanecerá como diretor de RI.
As mudanças dos cargos em um espaço de tempo muito curto poderiam ser tomadas como “um sinal negativo” em relação à evolução do processo de reestruturação, o que pode pesar sobre a percepção de acionistas e credores, afirmaram analistas do Credit Suisse. Para os especialistas, Piani e Kheirallah eram bem visto pelo mercado e conseguiram atingir vários objetivos no processo de diminuição de riscos da empresa, mas a partida dos executivos ocorre “em um momento delicado para a companhia”, frente um montante elevado de dívida de curto prazo.
No fim do primeiro trimestre, a PDG tinha cerca de R$ 2 bilhões em dívida com vencimento nos 12 meses seguintes. Além disso, a alavancagem medida pela dívida líquida sobre patrimônio líquida chegava a mais de 120%. Os números do segundo trimestre devem ser conhecidos nos últimos dias de julho.
Para analistas do JPMorgan, a empresa deve amargar um prejuízo de quase R$ 200 milhões nos meses de abril e junho, o que ressalta as contínuas dificuldades da PDG. A reestruturação da companhia, disseram os especialistas, “está longe de terminar, uma vez que a PDG continua a trabalhar em suas renegociações da dívida e para acelerar a geração de fluxo de caixa livre”.
“Todas as alterações devem resultar na decepção entre os principais acionistas sobre o desenvolvimento da PDG em sua recuperação. Mas, em nossa opinião, os ex-diretores enfrentaram uma missão impossível, devido a erros de avaliação que foram feitos antes de suas chegada”, afirmaram os analistas do Bradesco BBI.
Em nota, a PDG disse que a chegada de Márcio Trigueiro e Maurício Teixeira acontece num momento em que a companhia acaba de concluir importante processo de capitalização e no qual se vê diante de três objetivos bastante definidos e prioritários a perseguir: redução de custos, desalavancagem e monetização.
“Uma parte deste esforço já foi cumprida, mas ele será aprofundado com a chegada dos novos executivos e não cessará até que a companhia tenha alcançado níveis de custos correntes e de endividamento adequados à realidade macroeconômica e setorial”, afirmou a companhia. “O alinhamento econômico da nova gestão com os objetivos traçados permitirá que a gestão se mantenha permanentemente focada nas premissas de forte geração de caixa e disciplina de custos”, acrescentou.
Apesar das preocupações, os analistas se mostraram receptivos à chegada dos novos executivos. O especialista em mercado imobiliário Lucas Gregolin, da Fator Corretora, definiu a mudança como o início de um novo ciclo e ressaltou que, por enquanto, a situação da empresa parece estar equalizada, principalmente por conta do aumento de capital.
“Vamos ter de esperar a estratégia da nova gestão começar a entregar resultados”, afirmou o Bradesco BBI. Já a equipe do Credit Suisse apontou que os profissionais nomeados para os cargos são experientes, embora não tenham conhecimento específico sobre a indústria da construção civil. Marcio Trigueiro e Maurício Teixeira ocuparam as mesmas funções que agora desempenharão na PDG quando lideraram por quatro anos a administração da Sascar, que é uma empresa especializada em gestão de frotas e rastreamento de veículos e cargas.