As mulheres recebem, em média, 21,3% a menos do que os homens no setor privado, em estabelecimentos com 100 ou mais empregados, apontam dados 5º relatório de Transparência Salarial e de Critérios Remuneratórios, divulgados pelo Ministério do Trabalho e Emprego (MTE) nesta segunda-feira, 27.  Os dados têm como base a Relação Anual de Informações Sociais (RAIS) e abrangem cerca de 53,5 mil estabelecimentos.

O número revela um aumento da desigualdade salarial desde 2023, quando foi sancionada a Lei da Igualdade Salarial. No levantamento daquele ano, a diferença registrada foi de 20,7%.

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Os dados mostram que o salário médio das mulheres foi de R$ 3.965,94, em dezembro de 2025. Já o salário médio de homens ficou em R$ 5.039,68. Já o salário contratual mediano das mulheres foi de R$ 2.105,20; dos homens, R$ 2.455,70.

Apesar do aumento da desigualdade, a massa de rendimentos das mulheres — ou seja,  a soma total de todos os rendimentos brutos – subiu de 33,7% para 35,2%, resultado de um crescimento de 11% na participação feminina no mercado de trabalho.

A elevação da participação feminina no mercado não se traduz, no entanto, em massa salarial equivalente. Para que fosse proporcional à presença feminina no emprego (41,1%), a ampliação dos rendimentos seria de R$ 95,5 bilhões, mostra o relatório.

Mais mulheres contratadas

O número de mulheres empregadas nas empresas monitoradas passou de 7,2 milhões para 8 milhões, um acréscimo de 800 mil trabalhadoras. O aumento foi ainda maior entre as mulheres negras (pretas ou pardas), de 29%, passando de 3,2 milhões para 4,2 milhões. O número de organizações com pelo menos 10% de mulheres negras contratadas cresceu 3,6%, para 21.759 das 53,5 mil empresas consideradas.

Cresceu também a contratação de mulheres indígenas — de 8,2% em 2023 para 11,2% em 2025 — e de mulheres vítimas de violência — de 5,5% para 10,5%.

Os setores da economia que mais contrataram foram  alimentação (17,8%), vigilância e segurança (16,2%), reparação e manutenção de equipamentos (13,6%) e serviços para edifícios e paisagismo (13,1%).

A proporção de empresas que afirmam promover mulheres também aumentou, passando de 38,8% para 48,7%.