O humor inconstante dos investidores já elegeu em anos anteriores os fundos de commodities como os favoritos da vez. Eles davam rendimento de renda fixa e tinham liquidez diária. Vieram depois os de derivativos, com promessas de lucros altos, e em seguida os de capital garantido, que prometiam o milagre da rentabilidade alta sem sustos. Todos esses ficaram para trás, superados por suas próprias limitações ou pelo fim de restrições que o Banco Central impunha ao mercado. A estrela da vez agora é outra: os chamados multicarteira, ou multiportfólio.

Parece ser uma aposta mais sólida e duradoura que as anteriores. Os multicarteira entraram na moda depois do péssimo ano que a bolsa de valores teve em 2000. Enquanto a maior parte dos fundos de ações se desdobrava para não cair no vermelho, os multiportfólio, obrigados a ter pelo menos 50% do patrimônio em renda fixa, seguiram lucrativos e estáveis. Caíram nas graças dos investidores: o patrimônio já soma R$ 2,1 bilhões, segundo a Anbid.

Há fundos para dois tipos de investidores. Para os mais agressivos, que buscam rentabilidade mais alta, há fundos ativos, que entram e saem da bolsa e podem até passar períodos inteiros sem um só centavo em ações. O mais rentável no ano passado, o Private Portfólio, do Banco Alfa, foi um desses. ?Ficamos mais tempo só com renda fixa do que com renda variável na carteira. Mas conseguimos aumentar o rendimento comprando alguns papéis que estavam baratos e fazendo day trade (compra e venda de uma ação no mesmo dia)?, explica Márcio Emery, diretor de gestão de recursos do Alfa. Essa é a estratégia que, se bem executada, dá bom resultado em cenário de bolsa em baixa. Com o mercado em alta, porém, muda tudo. Os investidores criam a expectativa de rentabilidade mais elevada e os fundos se expõem mais às oscilações dos pregões.

O segundo tipo de fundo multiportfólio é o mais comum nos bancos de rede. São os fundos que mantêm uma parcela fixa, de 30% ou 40% do patrimônio, aplicado em bolsa. Esses fundos servem como alternativa para o investidor que quer dividir suas aplicações em tipos diferentes de ativos, mas não tem dinheiro bastante ou não se sente seguro para fazer isso por conta própria. ?É para isso que os fundos servem. Quem quiser ser mais arrojado deve ir logo para fundos de derivativos?, diz Marcelo Giufrida, vice-presidente do BNP Paribas.