O presidente do Irã, Hassan Rohani, começou nesta segunda-feira pela Itália sua primeira visita oficial à Europa, uma viagem de caráter econômico e com o objetivo de reativar as relações comerciais após a suspensão das sanções.

“Aterrizei em Roma. Com desejos de fortalecer os laços bilaterais e explorar oportunidades para um compromisso construtivo”, escreveu Rohani em sua conta do Twitter ao chegar à capital italiana.

O presidente iraniano foi recebido no palácio presidencial para um almoço oficial com seu colega italiano, Sergio Mattarella.

Depois, ele se reunirá com o chefe de governo Matteo Renzi.

Na terça-feira, o presidente iraniano será recebido pelo papa Francisco no Vaticano.

Rohani, clérigo xiita, é o segundo presidente do Irã que é recebido por um pontífice após o encontro entre o presidente Mohamad Jatami e o papa Juan Pablo II há mais de uma década.

Segundo a imprensa italiana, Rohani comparecerá a um jantar de gala com Renzi, que considerou o pedido dos iranianos para que fosse evitado servir bebida alcoólica na ocasião.

Para quarta-feira, em sua visita à França, Rohani não tem almoços ou jantares programados com as autoridades, já que os franceses não aceitaram o pedido para retirar o vinho do cardápio previsto.

Além do encontro com o papa, Rohani presidirá na terça-feira no fórum econômico sobre as relações Itália-Irã, em que comparecerá a nata do mundo empresarial e industrial italiano.

A Itália tenta recuperar o tempo perdido depois da entrada em vigor do acordo nuclear com as principais potências.

As oportunidades econômicas que se abrem são muitas, o que gera uma corrida por contratos. Os Estados Unidos não têm relações diplomáticas com Teerã há 35 anos e decidiu manter as sanções no setor petroleiro às empresas suspeitas de financiar o terrorismo.

“A Itália era o principal parceiro econômico e comercial do Irã antes das sanções”, lembrou a ministra de Desenvolvimento, Federica Guidi.

Antes da entrada em vigor das sanções, o comércio entre a Itália e o Irã chegava a 7 bilhões de euros, enquanto agora é de aproximadamente 1,6 bilhão de euros, dos quais três quartos são exportações italianas.

Nessa corrida por contratos, a empresa aeronáutica europeia com sede na França, Airbus, encontra-se entre entre as primeiras posições.

O ministro dos Transporte do Irã anunciou no sábado que o Irã comprará 114 aviões. Rohani deve assinar o acordo na quarta-feira em Paris.

Trata-se do primeiro anúncio en escala comercial desde a suspensão das sanções e da entrada em vigor em 16 de janeiro do acordo nuclear.