15/10/2003 - 7:00
O barão da mídia global, o australiano naturalizado americano Rupert Murdoch, tem por hábito não ficar em posições secundárias nos mercados onde atua. É assim que funciona na Europa, na Ásia, nos Estados Unidos e está sendo tentado no Brasil, onde seu grupo News Corp é dono da operadora de TV por assinatura Sky. Na semana passada, Rômulo Pontual, o executivo do grupo responsável pelas operações internacionais dessa área, desembarcou em São Paulo com a missão de lançar um novo serviço da Sky e conversar com parceiros locais, autoridades e concorrentes. Na primeira parte do trabalho, Pontual apresentou o equipamento que será vendido a partir do próximo mês para os 760 mil clientes da Sky. O produto é uma espécie de gravador digital que permite a gravação de até 70 horas de programação da operadora que pode ser assistida de acordo com as necessidades de cada usuário.
O equipamento, que ainda não tem nome em português, ajuda o cliente a não perder seu programa ou série preferida. Pode ser programado como um simples videocassete para buscar na grade de programação da Sky o assunto ou tema desejado. O Brasil será o terceiro país do mundo onde a Sky atua a receber essa tecnologia. Estados Unidos e Inglaterra já comercializam o equipamento. Os americanos pagam US$ 199 pelo gravador mais uma mensalidade extra de US$ 10 pelo serviço. No Brasil, o preço não está definido, mas ficará próximo desses valores.
Pontual ficou menos de 24 horas no País participando do congresso da Associação Brasileira de TV por Assinatura, ocorrido em São Paulo, mas teve tempo para deixar claro que a Sky quer expandir os seus domínios no Brasil, principalmente após a compra da DirecTV internacional. ?É um país estratégico dentro do nosso negócio?, afirma o executivo da News Corp. A empresa busca conquistar uma maior fatia do mercado que movimenta por ano cerca de R$ 3 bilhões e tem 3,4 milhões de assinantes. A única empresa que ainda faz frente ao poderio da marca de Murdoch é a Net Serviços, que pertence às Organizações Globo. A Net tem 1,3 milhão de clientes, mas passa por uma profunda reestruturação. No caso da Sky, os dois problemas não existem. No primeiro semestre do ano, a companhia registrou um lucro de US$ 58 milhões. Como o sinal que chega às antenas instaladas na casa dos clientes é totalmente digital, há uma infinidade de oportunidades de novas receitas que ainda não estão sendo exploradas, como na área de comércio eletrônico interativo.