04/01/2015 - 22:04
A barreira israelense na Cisjordânia, batizada de “muro do apartheid” pelos palestinos, não passará pelo vilarejo palestino de Battir, célebre por seu antigo sistema de irrigação romano e seus terraços agrícolas, segundo documentos do Supremo Tribunal israelense divulgados neste domingo.
Os habitantes do vilarejo, a sudoeste de Jerusalém, sobre a Linha Verde de demarcação, entraram com um recurso em 2012 ante a Justiça israelense contra o projeto do Ministério da Defesa que previa que o muro atravessasse os terraços, de mais de 2 mil anos, que ainda são cultivados.
O local foi classificado em junho passado pela Unesco como patrimônio mundial em perigo.
O Supremo Tribunal anunciou hoje que o Ministério da Defesa desistiu de construir o muro em Battir: “A posição do ministério é de que a construção da barreira nesse local, embora seja importante do ponto de vista da segurança, não é uma prioridade.”
A construção do muro começou em 2002, por causa de uma série de atentados. Dois terços da barreira, que terá 712 km de extensão, já foram concluídos. Um total de 85% da mesma ficam na Cisjordânia, isolando 9,4% do território palestino, incluindo Jerusalém Oriental, ocupada e anexada, segundo a ONU.
A Corte Internacional de Justiça (CIJ) julgou a construção ilegal em julho de 2004, e exigiu a sua derrubada, assim como a Assembleia Geral da ONU.
A ONG Amigos da Terra do Oriente Médio (FoEME), que havia entrado com a petição juntamente com habitantes do vilarejo, classificou a decisão da Justiça de “uma vitória importante, uma luz de esperança para um futuro melhor” naquela região.
A Autoridade de Parques e Natureza israelense, bem como colonos, também criticaram a construção do muro em Battir, uma vez que o mesmo isolaria colônias localizadas ao sul de Jerusalém.