12/06/2002 - 7:00
Desde a década de 80 a Intel domina absoluta no mercado de microprocessadores, aqueles chips que funcionam como cérebros dos computadores. Esse monopólio vem diminuindo nos últimos cinco anos. Motivo: a AMD começou a oferecer produtos que rivalizam em preço e qualidade com os chips Intel. Hoje em dia, a empresa ? fundada há 33 anos, numa sala de estar ? detém 22% do mercado mundial e é única capaz de forçar uma briga de preços em escala global. Na semana passada, a AMD reduziu em 52% o preço da sua principal linha de microprocessadores ? a Athlon. Com essa política agressiva, a participação da empresa no mercado cresceu 5 pontos porcentuais no ano passado. As vendas sofreram um baque no último ano, com a crise no setor de tecnologia: a receita foi de US$ 3,8 bilhões, mas foi impossível escapar do prejuízo de US$ 60 milhões. ?Eles têm mais agilidade para tomar decisões, o que facilita a expansão da empresa?, afirma Peter Kastner, da consultoria Aberdeen Group.
A redução de preço não é a única estratégia de expansão da AMD. No Brasil, a empresa criou um plano específico para abocanhar o mercado, completamente diferente da tática da rival. Enquanto a Intel faz campanhas de marketing grandiosas, a AMD faz trabalho de formiguinha para conquistar o mercado de PCs. A fabricante dá prêmios em dólar para os revendedores que conseguem vender computadores com seus chips. O crédito varia de US$ 2 a US$ 6 por processador comercializado. ?Esse é o público formador de opinião, aquele que vai guiar o consumidor na hora da compra?, diz José Pedro Ranalli, gerente de marketing da AMD no País, que gastou US$ 1 milhão nessa estratégia. Eles sabem que não vai ser fácil disputar o mesmo espaço que a Intel, referência mundial quando o assunto é microprocessador para PCs. ?A AMD tem produtos de alta performance e preços competitivos. Tem fôlego para brigar?, diz Cassio Fernandes, diretor de comercialização da Metron, fabricante nacional de PCs.