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DEPOIS DE MUITAS IDAS e vindas, o Programa de Aceleração do Crescimento finalmente começou a sair do papel. Grandes e pequenas obras de infra-estrutura espalham-se pelo País, o que tem feito a alegria de uma série de empresas. A começar pelos construtores de máquinas pesadas, que, após verem as vendas ao mercado interno patinarem em cinco mil unidades pelos últimos dez anos, celebraram o recorde absoluto conquistado no ano passado com 11 mil unidades. Para este ano, nova marca histórica é aguardada com projeção de 15 mil. Uma das conseqüências do aquecimento desse setor, que deve ajudar o Brasil a crescer por volta dos 5% este ano, pode ser vista na rodovia dos Bandeirantes, em São Paulo. Principal via de transporte até o Porto de Santos, a estrada é diariamente tomada por uma série de caminhões que transportam pesadas máquinas de construção civil como pás-carregadeiras, caminhões articulados e escavadeiras. Para atender a demanda, as fábricas trabalham a todo vapor e buscam no Exterior produtos que antes não eram sequer vendidos por aqui.

Yoshio Kawakami, presidente da Volvo Construction Equipment (VCE), é um dos que mais comemora. Em uma conversa com a DINHEIRO, o executivo não se ressentiu em confirmar que suas projeções de crescimento de 15% em vendas para o ano ficaram bem abaixo dos 40% registrados no primeiro trimestre. ?Nunca antes este nosso mercado esteve tão bom?, diz ele.

?E, além do governo, o impulso também vem de setores como mineração, celulose, indústria cimenteira e agropecuária.? O resultado é produção máxima na fábrica da companhia em Perdeneiras, interior de São Paulo, e revisão, para cima, do investimento de US$ 6 milhões programados para o ano. Ainda assim, o fantasma do desabastecimento ronda a companhia e o mercado. Oficialmente, fabricante algum confirma falta de produto, mas um consumidor interessado em uma escavadeira pode esperar de dois a três meses antes até receber sua encomenda.

O descompasso entre demanda e oferta transformou a importação de equipamentos em um rentável nicho de mercado para as grandes produtoras. Na VCE, 30% do faturamento de US$ 389 milhões são de importados. Na Case Constructions, empresa do grupo Fiat, das 2,3 mil máquinas vendidas no ano passado, 200 traziam bandeiras de outros países. Para este ano, a expectativa é chegar a 400 de um total de 3 mil unidades. ?O PAC está alimentando o mercado, não só pelas obras em si, mas também pelo aumento de movimentação de carga?, afirma Roque Reis, diretor da Case.

O desembolso diário do PAC neste primeiro semestre gira em torno dos R$ 15 milhões, o dobro do ano passado, e impulsiona regiões que antes não tinham tradição na compra desses equipamentos, como os Estados do Norte e Nordeste.

?Ainda ficamos bem longe da China, mas há um otimismo muito forte com relação ao futuro?, completa Roque.

É justamente essa perspectiva de longo prazo confirmada pelas empresas de máquinas que fez os acionistas do Banco Pottencial acreditarem que o mercado da carta-fiança, um de seus principais produtos, vai explodir. Hoje, por lei, os interessados em participar de uma licitação pública devem apresentar uma carta-fiança no valor de 5% do contrato. Com o PAC, a demanda ficou tão forte que a instituição mineira passou a recusar contratos e, por isso, decidiu criar um sistema de mapeamento de todas as licitações feitas no País. As informações passarão a ser divulgadas para seus clientes já no mês que vem. ?Vamos entrar em um novo patamar de crescimento aproveitando as asas do PAC?, afirmou Carlos Quick, presidente do conselho da instituição.