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NOS ÚLTIMOS MESES, UM ACALORADO DEBATE SOBRE O futuro da aviação brasileira se arrastou no governo. Uma ala, liderada pelo BNDES e pela Casa Civil, defendia que os aeroportos fossem transferidos à iniciativa privada, em regime de concessão, assim como vem sendo feito com as estradas federais. Uma outra, que reunia a Defesa e os ministros militares, pregava a saída intermediária: a abertura de capital da Infraero, que administra os principais aeroportos do País. Prevaleceu a segunda alternativa, sob o argumento de que só 10 dos 67 terminais brasileiros são lucrativos. Ou seja: muitos deles não encontrariam compradores. Além disso, a Infraero teve prejuízos de R$ 458 milhões em 2005 e de R$ 135 milhões no ano passado. O que se omitiu é que os números ruins, em vez de argumento contra a venda, eram o melhor motivo para a privatização. Afinal, empresas como Embraer e CSN também eram deficitárias antes da transferência à gestão privada. Mas o governo fez sua escolha e o presidente da Infraero, Sérgio Gaudenzi, justificou: ?A abertura de capital fortalece a empresa, enquanto a privatização é um ato definitivo, que não permite recuo.?

Vitorioso na disputa, o ministro da Defesa, Nelson Jobim, diz que a empresa pode ser transformada numa Petrobras da administração dos aeroportos do País. Mas falta ainda convencer investidores a alocar recursos numa empresa que vem perdendo dinheiro. Gaudenzi garante que a oferta será atrativa. ?A União deverá incorporar ativos imobiliários ao patrimônio da empresa, o que, certamente, servirá para valorizar as ações.?

Com a questão encaminhada, a Infraero pretende se concentrar nos investimentos de R$ 877 milhões previstos no PAC e de R$ 397 milhões que constam de seu planejamento. Destacam-se no rol de projetos a reforma do terminal 1 do Galeão-Tom Jobim e a ampliação do aeroporto de Viracopos, em Campinas. ?A prioridade número 1 da Infraero é Campinas?, afirma Gaudenzi. ?Vamos ampliar o terminal de passageiros e construir a segunda pista.? Segundo ele, as projeções indicam que Campinas poderá receber até 85 milhões de passageiros/ano até 2025. A cidade é favorecida pela proximidade com São Paulo e também pela promessa de um trem-bala. E isso afasta, por ora, a possibilidade do terceiro aeroporto na Grande São Paulo.

 

GAUDENZI: presidente da empresa diz que a oferta de ações pode ser atrativa, apesar dos resultados ruins