30/08/2006 - 7:00

O bilionário Constantino: A sua empresa já é avaliada em US$ 6 bilhões
Até agora, a sorte tem andado ao lado do empresário Constantino Jr. Desde que ele criou a Gol, em 2000, duas das principais companhias aéreas do País, Transbrasil e Vasp, desapareceram dos céus. A maior delas, a Varig, virou uma sombra apagada do que já foi. E até mesmo um acontecimento trágico para a aviação ? o 11 de setembro de 2001 ? acabou ajudando. Isso porque, ao reduzir a demanda aérea global, aquele evento permitiu à Gol adquirir aeronaves de primeira geração a um custo menor. Toda essa sorte, porém, seria inútil se Constantino não tivesse uma idéia brilhante acoplada à capacidade de tirá-la do papel. Ao lançar a Gol com investimento inicial de US$ 20 milhões, o projeto era colocar no ar uma empresa aérea de baixo custo que fosse referência mundial. Deu certo. E muito mais rápido do que ele imaginava. Do nascimento aos dias atuais, a Gol já se valorizou 30.000% e hoje vale inacreditáveis US$ 6 bilhões. ?Foi a maior criação de valor da história da América Latina?, diz Constantino à DINHEIRO, com a voz baixa e um olhar até certo ponto envergonhado. Quem o encontra pela primeira vez logo percebe que o orgulho não está entre seus pecados capitais. Mineiro de Patrocínio, ele é daqueles que respondem a um simples ?como vai? com um resignado ?sobrevivendo?.
Nesses últimos seis anos, Constantino fez muito mais do que sobreviver. Na prática, ele reescreveu a história da aviação brasileira e sua Gol já tem quase 40% do mercado doméstico. Neste ano, a empresa deverá transportar 20 milhões de passageiros, faturar R$ 4 bilhões e lucrar quase R$ 800 milhões. Além disso, ele realizou junto à Boeing a maior encomenda de aviões já feita na América Latina. Não por acaso, a Gol acaba de ser escolhida pela Aviation Week como a mais eficiente do mundo, com uma rentabilidade de 20% num setor que, além de regulado, é marcado por colossais prejuízos. É nesse céu de brigadeiro que a empresa enfrenta seu maior desafio: o de continuar inovando e reduzindo custos na posição de líder, e não de franco atirador. ?O trem que te atropela, geralmente, é aquele que você não vê?, filosofa Constantino (leia abaixo sua entrevista à DINHEIRO). Mesmo bilionário, esse tímido empresário, um dos mais bem-sucedidos do País, continua avesso a badalações e 100% focado no trabalho. E seu modo de encarar o futuro é promissor para a sua empresa. ?Eu sei que, dentro de alguns anos, alguém será melhor do que a Gol de hoje?, diz ele. ?A nossa luta é fazer com que sejamos nós mesmos?. Entre as inovações recentes, a Gol agilizou o embarque dos passageiros sem bagagens com um sistema que permite o check-in pelo celular. Além disso, para reduzir custos, os novos aviões terão um número de assentos 30% maior. E isso sem espremer passageiros, garante Constantino.

Inovação: Funcionária da Gol faz o check-in pelo celular em Congonhas para agilizar o embarque
Nessa sua nova etapa, a Gol teria plenas condições de colher lucros ainda maiores, impondo tarifas mais caras aos passageiros. Constantino, porém, garante que sua empresa não trilhará esse caminho. ?A nossa missão agora é popularizar a aviação em toda a América do Sul?, diz ele. ?Para isso, os preços têm que continuar caindo?. Pelas suas contas, o Brasil transporta anualmente 48 milhões de passageiros, mas, na prática, apenas 8 milhões de pessoas efetivamente voam ? algumas, várias vezes por ano. O mercado potencial, porém, seria de 20 milhões de pessoas. ?O nosso modelo de negócios estimula a demanda com preços menores?, diz ele. E a idéia é disseminar esse modelo em outros países. A Gol, que já voa para Argentina, Uruguai, Paraguai e Bolívia, está chegando ao Chile e ao Peru. E terá rotas diretas entre esses países, sem passar pelo Brasil.
Esse novo plano da Gol já com vento favorável no mercado financeiro. Michael Linenberg, analista da Merrill Lynch, projeta uma alta de quase 50% das ações da empresa, o que jogaria o valor de mercado para US$ 9 bilhões. ?Com a chegada de novas aeronaves, a companhia deverá ocupar rapidamente o espaço da Varig?, diz ele. A Gol, que iniciou 2006 com 42 aeronaves, fechará o ano com 62. Mas será que agora, sem ameaças externas no horizonte, a Gol mudaria sua filosofia? ?A política de baixo custo está no DNA da empresa?, garante o analista de um grande banco de investimentos. ?Se eles mudarem, perderão completamente a identidade?. Ou seja: na prática, não há quem aposte numa Gol acomodada e menos competitiva. ![]()