11/06/2008 - 7:00
ÀS MARGENS DA BAÍA DE GUANABARA, EM um evento realizado no salão do Museu de Arte Moderna (MAM) do Rio de Janeiro, e tendo ao fundo o morro do Pão de Açúcar, nasceu, às 10h30 da quinta-feira 12, a segunda maior companhia petroquímica do País, a Quattor. Trata-se de um complexo que reúne cinco empresas do setor, tem a Petrobrás como acionista e fatura R$ 9 bilhões por ano – à frente dela encontra-se apenas a Braskem, com receita bruta de R$ 24 bilhões por ano.O anúncio se deu em um clima de show e ufanismo em plena manhã ensolarada, com o salão repleto de executivos e autoridades, como o governador do Rio, Sérgio Cabral, e o diretor de abastecimento da Petrobras, Paulo Roberto Costa. A apresentação do nome da nova empresa marcou o auge do evento. Um pano de quatro metros quadrados descortinou-se ao fundo do salão e revelou, sob aplausos, a palavra de sete letras: Quattor. O nome é inspirado nas lendas da alquimia, que reúne os quatro elementos da natureza, a água, a terra, o fogo e o ar, segundo divulgou a empresa. Afinal, a indústria petroquímica trata justamente da transformação de materiais. Por conta dessa abordagem original, Bia Aydar, da agência MPM, que assina com sua equipe o batismo, foi aplaudida ao lado do palco. Ao ser anunciado como o presidente da nova empresa, o engenheiro químico Vítor Mallmann, de 46 anos, destacou a importância do que estava ocorrendo ali. “O dia de hoje é histórico para a petroquímica brasileira”, disse ele. “A Quattor mostra com absoluto sucesso o fim do processo de consolidação do setor no Brasil, e dá início a um novo ciclo de desenvolvimento. Vamos nos expandir pelos quatro cantos do País e pelos quatro pontos cardeais”, acrescentou, deixando claras as ambições globais do empreendimento.
O surgimento da Quattor marca o fim de um ciclo na petroquímica nacional. Como lembra Mallmann, o processo começou nos anos 90 com o programa de desestatização do setor e teve continuidade com o surgimento das supercompanhias. Este foi um movimento inevitável, segundo especialistas, para quem quer ter força e escala suficientes para enfrentar o jogo global. Em 2002, surgiu a Braskem, decorrente da união dos grupos Odebrecht e Mariani, que integraram seus ativos petroquímicos à Copene. Na semana passada, surgiu a Quattor, da fusão de cinco empresas, a PQU Petroquímica União, a Unipar Divisão Química, a Polietilenos, a Rio Pol e a Suzano Petroquímica. Nasce como uma das 20 maiores empresas do País, com dois mil empregos diretos, capacidade instalada de 2,8 milhões toneladas de petroquímicos básicos e intermediários por ano e de 1,9 milhão toneladas de resinas. O plano de investimento é de R$ 2 bilhões. Os acionistas do novo grupo são a Unipar (60%) e a Petrobras (40%). “Fomos os finalistas de um processo necessário de sobrevivência”, afirmou Frank Geyer Abubakir, presidente do conselho de administração da Unipar, em entrevista à DINHEIRO. “Antes havia um emaranhado de empresas no setor, que precisava se modernizar.”
Em seu discurso, no lançamento da Quattor, Abubakir lembrou a saga de sua família, que abriu a primeira refinaria nos anos 40, em São Paulo. Agora, o momento é de expansão. “Mas estaremos focados no Brasil e na América do Sul”, afirmou Abubakir. Por uma razão simples: o consumo está aquecido no País, com o aumento de renda das classes C e D, e isso repercute sobre produtos como embalagens e eletrodomésticos. Os clientes da indústria petroquímica produzem justamente isso. Para analistas, entretanto, não se deve mais ver no País, daqui para a frente, o surgimento de grandes grupos no setor. “A concentração das empresas está no limite”, diz Luiz Otávio Broad, da Ágora Corretora. “O objetivo foi ganhar escala, reduzir custos fixos e compensar a alta no preço da matéria-prima, o petróleo. Estas empresas perceberam que unidas são mais rentáveis do que agindo separadamente.” E para celebrar a união escolheram um cenário que faz parte dos cartões-postais do País
“VAMOS CRESCER COM OS CLIENTES”
Logo após ser anunciado como o presidente da Quattor, o carioca Vítor Mallmann, 46 anos, formado pela Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) e com 25 anos de experiência no setor petroquímico, deu entrevista exclusiva à DINHEIRO. Mallmann ocupava o posto de vice-presidente da Unipar, antes da indicação.
Quais os principais desafios da Quattor?
Um deles será integrar ativos com culturas e trajetórias diferentes. A qualidade de seus ativos e a experiência de suas equipes vão contribuir para o êxito da missão. Esse processo tem de mexer com a alma das pessoas, pois elas precisam ter uma nova visão.
Qual será o foco da companhia?
O foco estará nos nossos clientes, as indústrias de plásticos e de embalagens. Queremos trabalhar para o crescimento de toda a cadeia. Nossos clientes devem crescer e aí cresceremos juntos. Ninguém compra polietilenos no mercado, mas embalagens, carros e eletrodomésticos.
O aumento do preço do petróleo preocupa?
Sem dúvida. A alta do preço do petróleo nos impõe pressão de aumento de custo. O que antes era uma oscilação se tornou tendência constante de aumento. Mas temos, por outro lado, as descobertas da Petrobras e as perspectivas de o País se tornar exportador líquído de petróleo