O insucesso das negociações entre o grupo de médicos que controla o Fleury para uma venda do controle da rede de diagnósticos ao Gávea Investimentos foi marcado por uma conjunção de fatores e pela insatisfação da família dona da rede de laboratórios Hermes Pardini, segundo fontes. O Gávea possui um investimento no Hermes Pardini e tinha a intenção de fundir os dois negócios de diagnóstico. Depois de pelo menos sete meses de negociações com exclusividade, o Fleury informou ontem em fato relevante que as conversas da Core, seu grupo controlador, com o Gávea acabaram e que não houve acordo.

De acordo com fontes com conhecimento das negociações, a família Pardini, que detém hoje 70% do laboratório mineiro Hermes Pardini, não concordou com o preço relativo atribuído às ações da empresa no processo que vinha sendo desenhado para fusão com o Fleury. Se o negócio tivesse dado certo, os sócios da família teriam 35% da companhia resultante da fusão enquanto os outros 65% estariam nas mãos de fundos. Além do Gávea, a operação contaria com investimentos de private equity do Goldman Sachs e do Adia, gestora de Abu Dabi e haveria o fechamento de capital do Fleury. Procurados, o Hermes Pardini e o Gávea não quiseram comentar.

Não favoreceu a operação, segundo as fontes, o fato de que o Fleury vinha apresentando resultados financeiros considerados insatisfatórios. No primeiro semestre de 2014, a receita líquida do Fleury caiu 2,8% ante o mesmo período do ano anterior, para R$ 804 milhões. Já a rentabilidade vem em queda desde o ano passado. A margem Ebitda do Fleury caiu fortemente em 2013, fechando o ano em 16,8% ante um patamar de 21% em 2012. No primeiro semestre de 2014, essa margem continuou em queda: chegou a 17,6%, redução ante os 19% do mesmo período do ano anterior.

As incertezas no mercado sobre a negociação já eram fortes. As dúvidas aumentaram ainda mais depois que, em setembro, Vivien Rosso renunciou à presidência do Fleury apenas 12 meses depois de ter assumido. A saída da executiva foi vista por analistas como um sinal negativo para a tentativa de reestruturação do Fleury. “Suporta nossa tese de que a empresa ainda está sofrendo para balancear seu processo de ‘turnaround’ e melhorar as operações de marcas regionais”, escreveram naquele momento os analistas do Brasil Plural Guilherme Assis, Ruben Couto e Victor Falzoni.

O Fleury passa hoje por uma reestruturação depois de ter feito uma sequência de aquisições de laboratórios regionais na tentativa de expandir sua atuação para além do mercado premium, focado em clientes de classe A/B. Os custos com a integração dos diferentes laboratórios adquiridos e que hoje adotaram a marca a+ vêm afetando os resultados da companhia.

As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.