As negociações de paz sobre a Síria, que deveriam começar nesta segunda-feira em Genebra, vão começar em 29 de janeiro e durarão 6 meses, declarou o emissário especial da ONU para a Síria, Steffan de Mistura.

O atraso se deu em razão de “um bloqueio” sobre a composição das delegações, explicou o emissário durante uma coletiva de imprensa, acrescentando que “os convites serão enviados amanhã e as discussões vão começar em 29 de janeiro”.

O emissário das Nações Unidas tem sido pressionado há semanas pelo secretário de Estado americano, John Kerry, e seu colega russo, Serguei Lavrov, para dar início às discussões o quanto antes.

As negociações de Genebra devem se concentrar no roteiro estabelecido em dezembro de 2015 pelo Conselho de Segurança da ONU, prevendo um cessar-fogo, um governo de transição em seis meses e eleições num prazo de 18 meses.

“Não haverá cerimônia de abertura”, informou de Mistura. Os participantes vão discutir primordialmente o “cessar-fogo e a ajuda humanitária”, afirmou, acrescentando que “cada dia perdido é um dia perdido para a trégua e para a ajuda humanitária”.

Kerry declarou ter consultado nas últimas horas seus colegas francês, turco, russo e saudita, bem como de Mistura, para “garantir que todos estão alinhados”.

A guerra civil na Síria, que se estende há 5 anos, já deu origem a duas séries de negociações em Genebra, chamadas de Genebra 1 e Genebra 2, mas que não resultaram em avanços concretos.

A coalizão de oposição síria, principal componente da oposição no exílio formada no mês passado e que conta com importantes facções rebeldes armadas, formou uma delegação para participar nas negociações, mas exclui o principal partido curdo e outras figuras da oposição.

A Rússia, país aliado do regime de Bashar al-Assad, procurou integrar nas negociações alguns grupos que haviam sido excluídos. Mas a coalizão de oposição acusa Moscou de querer incluir figuras próximas ao governo e ameaça boicotar as discussões.

Neste contexto, os representantes da oposição síria vão se reunir na terça-feira em Riad para decidir se participarão nas negociações de paz com o regime, segundo informou à AFP um delegado curdo.

“O Alto Comitê de Negociações deve se reunir amanhã em Riad. Lá vamos tomar uma decisão final sobre a possibilidade de participar em Genebra”, declarou Fuad Aliko, representante dos curdos na Coalizão Nacional da Síria.

No que diz respeito à visita neste fim de semana do secretário de Estado americano, John Kerry, à Arábia Saudita, onde se reuniu com o representante dos rebeldes Riad Hijab, o delegado curdo disse que não foi nem “agradável” nem “positiva”.

Kerry declarou a Hijab que se não fossem a Genebra arriscariam “perder amigos.”

Para Aliko, as declarações de Kerry são “pressões” e “ameaças”.

A oposição insiste na aplicação do comunicado de Genebra, que prevê o estabelecimento de um “órgão governamental de transição” para suceder ao regime de Bashar al-Assad.

Os esforços para tentar encontrar formas de acabar com o conflito na Síria ocorrem num momento em que o diretor da Europol, Rob Wainwright, advertiu nesta segunda-feira que o grupo jihadista Estado Islâmico (EI) tinha desenvolvido “uma nova capacidade de combate para conduzir uma campanha de ataques em larga escala”, particularmente concentrada na Europa.

Analistas da Europol estão convencidos de que o EI “está preparando novos ataques (…) contra os Estados-membros da UE, e em particular na França”, segundo um relatório apresentado por Wainwright no lançamento oficial em Amsterdã de um novo Centro Europeu contra o terrorismo.

Ele observou uma “mudança no modus operandi” do EI na Síria e no Iraque, agora capaz de realizar “quando deseja”, em várias partes do mundo, uma “série de ataques complexos e bem coordenados” por meio de combatentes locais.

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