10/07/2015 - 9:50
O secretário de Estado americano, John Kerry, e o chanceler iraniano, Mohamad Javad Zarif, voltam a se reunir nesta sexta-feira, depois da informação da véspera de que um acordo sobre o programa nuclear de Teerã não é iminente.
As conversações, iniciadas há quase dois anos e que deveriam ter sido concluídas em 30 de junho, já foram prorrogadas em duas ocasiões diante da persistência de divergências fundamentais.
“Estamos conseguindo avanços, mas é penosamente lento. Ainda restam algumas questões por resolver”, afirmou o ministro britânico das Relações Exteriores, Philip Hammond, após uma reunião com os chefes da diplomacia do Irã e do grupo 5+1 (Estados Unidos, Rússia, China, Reino Unido, França e Alemanha) em Viena.
“Confio em nossos negociadores, que trabalham com os iranianos para esclarecer um pouco mais o texto nas próximas 12 horas, e acredito que poderemos nos reunir outra vez amanhã (sábado) para ver se conseguimos superar os últimos obstáculos”, completou Hammond.
O Irã e o grupo 5+1 negociam há duas semanas na capital austríaca para tentar concluir um acordo que acabe com o clima de tensão, algo que prejudica as relações internacionais há mais de 12 anos.
Os ministros desistiram da meta de alcançar um acordo até esta sexta-feira, 10 de julho, às 4H00 GMT (1H00 de Brasília), o que teria permitido a análise de um texto no Congresso dos Estados Unidos antes do recesso parlamentar.
“Se as decisões não forem tomadas, estamos totalmente preparados para colocar um ponto final neste processo”, disse Kerry na quinta-feira, quando destacou que as conversações não prosseguirão por um período “indefinido”, mas que tampouco é necessário “precipitar-se” para chegar a um acordo.
Zarif afirmou que está disposto a permanecer em Viena “o tempo necessário”, mas lamentou as “demandas excessivas” e as “mudanças de postura” das potências ocidentais.
O acordo pretende garantir que o programa nuclear de Teerã não terá fins militares, em troca de uma suspensão das sanções internacionais que asfixiam a economia do país há vários anos.
Os negociadores têm três possibilidades caso não alcancem um acordo durante o dia: uma nova prorrogação das conversações em Viena, uma declaração de fracasso – considerada pouco provável pelos analistas – ou o adiamento das negociações, uma hipótese que foi um tabu durante muito tempo.
Uma prorrogação ou adiamento implicariam uma nova extensão do acordo preliminar assinado em novembro de 2013, que bloqueou parcialmente algumas sanções ocidentais em troca da suspensão de certas atividades nucleares de Teerã.
Apesar dos avanços, reconhecidos por todos, ainda restam muitas questões sem respostas.
Teerã exige a suspensão das restrições sobre as armas e sobre seu programa balístico, adotadas em 2006 pela ONU, alegando que o embargo não tem qualquer relação com o programa nuclear.
Os países ocidentais, que admitem que cada país tem direito a um programa militar convencional, são contrários a suspender o embargo sobre armas devido ao contexto regional.
Outros obstáculos são o calendário e o ritmo para a suspensão das sanções, assim como a inspeção das instalações iranianas pela ONU.
bur-phs/fp