30/01/2014 - 1:47
Quando comprou a Motorola por US$ 12,5 bilhões, em 2011, a expectativa dos analistas de mercado era de que o Google conseguiria reverter a trajetória decadente da empresa americana, a inventora do celular. Ao vendê-la aos chineses da Lenovo por um quarto do valor, na quarta-feira 29, a companhia comandada por Larry Page fracassou na tarefa de recolocá-la no topo do mercado mundial de smartphones.

Larry Page, do Google, e Yang Yuanqing, da Lenovo, fecharam negócio sobre Motorola
Os números são um forte argumento para entender por que o Google se desfez da Motorola. No último trimestre, a fabricante de celulares teve um prejuízo de US$ 248 milhões. Trate-se de uma perda 22% maior que os US$ 192 milhões de um ano antes. Seu faturamento diminuiu 33%, indo a US$ 1,18 bilhão.
Três anos depois de comprar a Motorola, a criadora do sistema operacional para celulares Android não conseguiu fazer com que os aparelhos da Motorola conquistassem mercados. Tanto que a companhia não aparece nem entre os maiores fabricantes de celulares inteligentes do mercado.
Apesar disso, havia uma luz no fim do túnel (e não era um trem vindo na direção inversa). A Motorola havia lançado dos celulares, o Moto G e o Moto X, que receberam boas análises de especialistas.
Mas nem tudo foi prejuízo para o Google. Com a aquisição da Motorola, a empresa de Mountain View, na Califórnia, herdou mais de 20 mil patentes. São ativos valiosos, que ela ainda mantém nessa transação, contra possíveis brigas por patentes.
Para o Google, a conta para abrir da Motorola foi simples. Era melhor ficar sem ela ? e sem o ônus de tirá-la do vermelho ? do que brigar com os parceiros de seu sistema Android, sistema operacional que equipa oito de cada dez smartphones no mundo. A relação com a Motorola, uma fabricante de celular não era bem vista por Samsung, LG e outras companhias.
O melhor exemplo desse mal-estar foi a versão Android utilizada nos smartphones Moto X e Moto G. Segundo alguns analistas, ela era mais trabalhada que a versão pura do Android, conhecida como Nexus. “Apostar suas fichas em apenas um parceiro é sempre arriscado”, afirmou Jan Dawson, da consultoria Jackdaw Research. “Abandonar a Motorola faz o Google ter uma relação melhor com outros parceiros.”
Com a venda, o Google também reforçou sua posição em outras áreas. No último ano, a companhia investiu bilhões na compra da Nest, de sensores para residências, e na Boston Dinamics, de robótica. Além disto, está agitando o mercado com a chegada de seu óculos inteligente, o Glass, e o possível anuncio do relógio Nexus Watch. A empresa também acelerou o avanço do receptor de tevê Chromecast.
Mas quando seu braço de smartphones foi uma barreira para o avanço de seu sistema operacional, a empresa não pensou duas vezes. “Todos estavam pensando que o Google estava aumentando o foco em hardware. Esse foi um sinal contrário”, disse Stephen Baker, da consultoria NPD.