Apesar de ter muita gente agregando valor aos camarotes das casas noturnas, os estabelecimentos, juntamente com os bares, não passam por um ano bom. Após o endurecimento da lei seca, que passou a ter tolerância zero com a quantidade de álcool consumida por um motorista, e o desastre na boate Kiss, na cidade gaúcha de Santa Maria, que matou 242 pessoas no começo de 2013, os empresários do setor de casas noturna não tiveram muitos motivos para festa.

 

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Brindes para o ano novo: setor espera que recuperação aconteça já em 2014

 

?Os estabelecimentos que sobreviverem a 2013 não morrerão mais?, diz Fábio Aguayo, presidente da Associação Brasileira de Bares e Casas Noturnas (Abrabar), entidade ligada à Confederação Nacional do Turismo. De fato, os números não estão nada animadores: o País deve encerrar o ano com 22 mil espaços, 15% a menos do que os registrados em 2012. A quantidade de empregos recuou 20%, deixando 600 mil pessoas sem trabalho. O aumento na fiscalização e o consequente investimento em segurança pós-Santa Maria também consumiu boa parte do caixa das casas. ?Quem não tinha gordura, quebrou?, afirma Aguayo. ?Para piorar, a economia não ajuda e a primeira coisa que as pessoas cortam é o lazer, prejudicando os bares.?

 

A quantidade de estabelecimentos fechados também inibiu a expansão das empresas por esse segmento. Foi o caso do Grupo Top, especializado em eventos universitários, shows e casamentos. Anteriormente, a empresa tentou abrir uma casa de shows no centro de São Paulo e teve apresentações de artistas, como a banda de rock Raimundos e o funkeiro Mr. Catra, sem sucesso. ?Perdemos R$ 100 mil em um mês e a fechamos?, diz Fernando Plapler, um dos sócios da Top. ?Pensamos que seria fácil essa migração para casas com a nossa expertise em eventos, mas o knowhow é totalmente diferente.?

 

Com o prejuízo na tentativa de expansão, a Top voltou-se especificamente para o nicho em que atua desde 2009 e apostou em shows e festas para o público jovem, como os eventos universitários e datas comemorativas. Outra alternativa foi a criação de uma agência de propaganda para cuidar de marcas que estão com as atenções voltadas para o público que está na faculdade, como a cachaça 51. O resultado desse foco é esperado em forma de receita, que deve crescer 25% em 2013, para R$ 10 milhões. ?A intenção é aumentar 15% em 2014?, afirma Plapler.

 

Apesar do mau momento, alguns empresários seguem otimistas. É o caso de Marco Tobal Júnior, sócio do Grupo São Paulo, dono do Villa Country, uma das principais boates de São Paulo. Especializada em música sertaneja e com rotatividade de nove mil pessoas por semana, a crise passou longe do grupo, que ainda detém espaços para shows e festas. ?O que percebemos foi a mudança comportamental do cliente?, diz Tobal. ?Antes não se preocupavam com a saída emergência e nem pensavam em táxi.?

 

Algo que preocupa, no entanto, é o gosto musical do brasileiro. Em alta nos últimos tempos, o sertanejo pode sair de moda. Caso isso aconteça, vai impactar no faturamento da casa, que cobra até R$ 60 por entrada. ?Teremos que nos reinventar, com certeza?, afirma Tobal.

 

Para 2014, a expectativa do setor é que as festas voltem a fazer parte da rotina do brasileiro. Copa do Mundo e até as eleições são motivos para que os donos das casas possam pensar em comemorar e ?bebemorar? o fim deste ano. ?As leis costumam dar uma afrouxada?, afirma Aguayo, da Abrabar. ?Quem sabe não seja a época para a recuperar o prejuízo.?

 

 

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