22/02/2006 - 7:00
Há pouco mais de dois anos seria difícil encontrar no mercado financeiro alguém disposto a apostar as fichas na NET Serviços ? a problemática divisão de TV a cabo das Organizações Globo. E não era para menos. Vergada sob uma dívida de R$ 1,24 bilhão, a NET sentia os efeitos colaterais da insana corrida para construir a maior rede de cabos País. O vermelho do balanço ficou para trás. Em 2005, a companhia registrou lucro de R$ 125,7 milhões, o primeiro de sua história. Com as contas ajustadas, a direção da operadora decidiu buscar novas oportunidades de negócios. A NET, quem diria, também vai se tornar operadora de telefonia, da nova telefonia. Ela chamou a Embratel para ser sua parceira na prestação do serviço, que terá por base a tecnologia VoIP (voz sobre protocolo de internet banda larga). O principal trunfo da NET na sociedade é justamente sua malha de 35 mil quilômetros de cabos, que cobre 44 cidades nas quais se concentra 45% do Produto Interno Bruto brasileiro. Através dessa rede é possível fazer milhares de chamadas telefônicas por minuto para qualquer canto do Brasil ou do exterior, no padrão VoIP, que permite conexões a preços menores em relação ao sistema tradicional. As ligações de longa distância (DDD e DDI) rendem R$ 12,5 bilhões por ano às operadoras tradicionais (Telefonica e Telemar, por exemplo). Faltam apenas alguns ajustes para que o serviço da NET comece a funcionar. O alvo inicial será a base de clientes atual, uma massa de 1,5 milhão de pessoas. ?A telefonia aumentará nosso poder de barganha na briga por novos assinantes e na retenção dos atuais?, diz Francisco Valim, diretor-geral da NET Serviços.
Hoje, essa função cabe aos pacotes compartilhados de TV com acesso à internet banda larga, além dos produtos em pay-per-view: jogos de futebol e programas como o Big Brother. A telefonia terá impacto ainda sobre a divisão de banda larga, segmento no qual o Vírtua (da NET) aparece em quarto no lugar do ranking nacional com 366,5 mil usuários. O líder é o Speedy, da Telefonica. ?Vai vencer a disputa quem tiver maior capacidade de conceder descontos ou vender pacotes completos de serviços?, avalia Valder Nogueira, chefe dos analistas de telecomunicações do Banco Santander Banespa. E é exatamente neste ponto que reside a força da união NET-Embratel. A operação verticalizada (TV, banda larga e telefonia) dá à NET uma vantagem competitiva em relação às demais. ?Queremos que os serviços adicionais (excluindo TV), colaborem com 30% de nossas receitas?, conta Valim. Hoje, eles respondem por 10%.
Mas como a empresa conseguiu melhorar a imagem de seu balanço financeiro? Esse trabalho começou há três anos com a renegociação da dívida. Valim conseguiu alongar o prazo de pagamento e reduzir o débito à metade (desdolarizando os valores e trocando parte da dívida por debêntures). A entrada do novo sócio ? a mexicana Telmex (dona da Embratel) ? também deu novo fôlego à NET, que pôde voltar a investir. Em 2005, foram R$ 187 milhões gastos em marketing e no desenvolvimento de serviços para os clientes. Neste ano, o diretor Valim espera repetir a dose. ?Eles aprenderam com os próprios erros?, resume o analista Nogueira.
SINTONIA FINA
Balanço mostra a boa fase vivida pela NET
Variação sobre 2004
Receita Total
R$ 1,59 bilhão
+ 17,1%
Nº de assinantes de TV
1,54 milhão
+ 8,5%
Nº de usuários em banda larga
366,5 mil
+ 94,1%
Receita com pay-per-view
R$ 72,4 milhões
+ 18,2%