14/09/2001 - 7:00
O fundador e principal executivo da Nintendo, Hiroshi Yamauchi, 75 anos, abriu na semana passada a sua caixa mágica. Chama-se Game Cube, é um console para jogos e nasceu com a missão de tentar destronar o PlayStation 2, da Sony. Se o novo brinquedo de Yamauchi obtiver sucesso na luta contra a rival, sua empresa estará novamente no topo de um mercado que movimenta US$ 20 bilhões ao ano. Não foi por outro motivo que o magnata da Nintendo investiu US$ 500 milhões em desenvolvimento e promoção do produto. Na sexta-feira 14, o Game Cube arrastou centenas de japoneses às lojas de eletroeletrônicos em Tóquio. Filas imensas se formaram durante a madrugada, repetindo as cenas que aconteceram no lançamento dos últimos games no Japão. Nos demais países, incluindo o Brasil, o desembarque acontecerá até o final do ano.
Concorrência. Mais que um videogame, o GameCube é visto pela equipe comandada por Yamauchi como um divisor de águas no mercado de jogos eletrônicos. Isso porque, o equipamento segue
o conceito básico de seu antecessor Nintendo 64, onde as aplicações multimídia (conexão à Internet, espaço para
reprodução de DVDs e CDs) não têm vez. À primeira vista isto
pode parecer um retrocesso em relação aos concorrentes, já que
o PlayStation e o Xbox ? que marcará o debut da Microsoft nessa arena ? se apoiam em plataformas multifuncionais. Mas a aparente ?desvantagem? de programas básicos não passa mesmo de impressão: a ?simplicidade? do GameCube é vista como seu grande trunfo. ?Os consumidores querem diversão?, argumenta Gilson Lima, diretor de Marketing da Gradiente Entertainment, empresa que representa a Nintendo no Brasil. Segundo ele, o sucesso da marca está ligado à capacidade da companhia em desenvolver jogos criativos. ?Muitos compraram o PlayStation apenas para usá-lo como um DVD barato?, alfineta Lima.
Analistas do setor festejaram a chegada do GameCube. Apesar disso, se mostram céticos quanto à capacidade de o console
colocar a Nintendo de volta ao topo do mercado. Isto porque a
Sony tem 70% de participação contra 25% da rival. E mais, no
ano fiscal encerrado em março a Nintendo viu seus lucros recuarem 42% para US$ 700 milhões, ante o apurado no ano anterior. A consultoria Daiwa Institute of Research acredita que a fabricante
do PlayStation verá seu domínio encolher em, no máximo, 10%. Na verdade, o inimigo real, segundo consultores, atende pelo nome de Xbox. E não foi por outro motivo que, em janeiro, Yamauchi abandonou o tom comedido e disparou contra Bill Gates: ?Ele não entende nada de videogames e seu console tem poucas chances de êxito?. Apesar da estréia nesse universo, não há como negar o ?poder de fogo? da Microsoft. Uma boa amostra disso é que Gates também separou US$ 500 milhões para entrar na disputa. O brinquedinho será lançado em novembro.
Queda de preços. Brigas à parte, é certo que o segmento está experimentando um frenesi semelhante ao causado pelo Game Boy, em 1989. Desde então a Nintendo já vendeu mais de 110 milhões desses aparelhinhos. Ao contrário do que ocorre nos EUA e na Ásia, o Brasil é uma ilha de prosperidade para a empresa. Por aqui, a marca domina 75% de um mercado estimado em R$ 200 milhões. A boa performance deve-se, segundo o executivo da Gradiente, ao fato de a companhia produzir localmente e também à variedade de jogos disponíveis. Esse volume, contudo, é considerado insuficiente pelo executivo. No início do mês, ele colocou em prática um ambicioso plano, destinado a ampliar as vendas e abrir caminho para o Cube. De uma só tacada reduziu em até 40% o preço de seus produtos. A entrada em cena da Microsoft não assusta os executivos locais. ?A concorrência é bem-vinda porque certamente ampliará o mercado, cujo potencial é pelo menos três vezes maior que o volume atual?, garante Lima.