Pelo menos 14 pessoas morreram neste domingo no Egito em confrontos entre manifestantes e polícia, no dia em que o país comemora o quarto aniversário da revolta de 2011 que tirou Hosni Mubarak do poder.

Para marcar o quarto aniversário do levante popular, partidários do ex-presidente islamita Mohamed Mursi convocaram protestos contra o regime do atual presidente e ex-chefe do Exército, Abdel Fattah al-Sissi.

Doze manifestantes pró-Mursi foram mortos em confrontos com a polícia na capital egípcia e outro manifestante foi morto em Alexandria (norte) – segundo o ministério da Saúde.

Um policial teria sido morto por manifestantes e 11 ficaram feridos, segundo o ministério do Interior. Ao todo, 150 pessoas foram presas ao longo das manifestações.

No Cairo, a praça Tahrir, epicentro da revolta de 2011, foi monitorada por um forte esquema de segurança. A polícia usou bombas de gás lacrimogêneo e tiros de bala de chumbo para dispersar os manifestantes que tentavam chegar à praça.

Algumas dezenas de simpatizantes de Sissi se reuniram perto do local, levando bandeiras egípcias e gritando “viva o Egito”, segundo um jornalista da AFP.

“É o funeral da revolução”, lamentou Mamdouh Hamza, figura importante do movimento de 2011 que estava perto do ato. “A situação não melhorou e nada mudou desde que Sissi assumiu o poder”, criticou.

Em todo o Cairo, onde as ruas estavam desertas e policiais armados com submetralhadoras vigiavam as principais avenidas do centro da cidade, manifestantes islamitas queimaram um posto da polícia.

O dia 25 de janeiro de 2011 marca o início de 18 dias de manifestações massivas que obrigaram Hosni Mubarak a entregar o cargo de presidente em 11 de fevereiro.

Sissi, eleito em maior com mais de 90% dos votos após ter destituído Mursi em julho de 2013, goza do apoio de grande parte da opinião pública, abalada por quatro anos de instabilidade polícia e de crise econômica.

Mas ele é acusado por seus opositores de ter instaurado um regime ainda mais autoritário que o de Mubarak, reprimindo qualquer ato de oposição, tanto islamita quanto laico.

O sábado já havia sido sangrento, marcado pela morte de uma manifestante no centro do Cairo, após confrontos com a policia durante uma rara manifestação de um movimento de esquerda que comemorava a rebelião de 2011.

Desde a destituição de Mursi, em julho de 2013, soldados e policiais mataram mais de 1.400 manifestantes islamitas e mais de 15.000 pessoas foram presas. A ONU também denuncia as penas de morte pronunciadas em julgamentos em massa, chamados de “sem precedentes na História recente”.

Dizendo agir em represália a esta repressão, grupos jihadistas multiplicaram seus ataques contra as forças de ordem em todo o país. Na manhã deste domingo, dois policiais ficaram feridos na zona leste do Cairo na explosão de uma pequena bomba – segundo o porta-voz do ministério do Interior, Hani Abdel Latif.

O ataque foi reivindicado pelos jihadistas do Ajnad Misr, um grupo que já havia reivindicado a explosão de uma pequena bomba na última sexta-feira, ferindo quatro policiais e um civil no mesmo bairro.

Além disso, dois “terroristas” morreram na explosão de uma bomba enquanto instalavam o artefato no pé de um poste na província de Beheira (norte), segundo Abdel Latif.

Com eleições legislativas previstas para 21 de março, Sissi nega veementemente qualquer retorno a um regime autoritário.

No final de novembro de 2014, Sissi garantiu que o país se dirigia “para o estabelecimento de um Estado democrático e moderno, baseado na justiça. na liberdade e na luta contra a corrupção”.

Na última sexta-feira, a Federação Internacional das Ligas de Direitos Humanos (FIDH) disse, em comunicado, que “as liberdades conquistadas com a revolução estão sendo negadas”.