26/08/2009 - 7:00

poltrona FC: Gustavo Ioschpe faz filmes de alta qualidade e orçamento barato sobre a maior paixão do brasileiro. A produção não sai por mais de R$ 1,5 milhão
Banqueiro ou industrial. Essas eram as duas escolhas mais prováveis para a carreira do economista Gustavo Ioschpe. Herdeiro de uma tradicional família gaúcha e membro do conselho de administração da Iochpe Maxion, ele se encantou com o mundo do cinema. Um enredo que poucos amigos ou familiares ousariam escrever. Mas, contrariando qualquer previsão, Ioschpe se firma como o mais bemsucedido produtor de filmes sobre futebol. Na sexta-feira 21, seu quinto projeto teve pré-estreia nas telonas gaúchas.
Nada vai nos separar, a história dos 100 anos do Sport Club Internacional (RS), tem tudo para enterrar de vez a regra de que filmes sobre a maior paixão nacional dão pouco resultado. A G7 Investimentos, holding criada por Ioschpe para produzir e distribuir as criações da G7 Cinema, mostrou que a tabelinha entre bola e arte pode ser rentável. Nada vai nos separar é o terceiro título sobre o Inter.
Antes, vieram Gigante e Gigante do Deserto. Ioschpe também produziu Inacreditável Batalha dos Aflitos, sobre o Grêmio, e Fiel, sobre o Corinthians. Seus quatro filmes atraíram mais de 100 mil espectadores às salas de cinema e resultaram em vendas de quase 200 mil cópias de DVDs. Uma pequena amostra do poder do futebol na sala escura foram as 24 mil pessoas que invadiram os cinemas no primeiro final de semana de exibição de Fiel, que conta a trajetória corintiana na segunda divisão, em abril passado.
O gremista Ioschpe vai aumentar em breve a sua lista de produções. Em outubro, lançará Soberano, que mostra as conquistas do São Paulo Futebol Clube nos últimos 30 anos. Em 2010 filmará a história centenária dos clássicos entre Grêmio e Internacional – o Grenal – e os títulos mundiais do São Paulo. “Não são apenas simples DVDs. São bons filmes que têm o futebol como tema”, resume Ioschpe. Sua fama já chegou ao mercado internacional.
Há duas semanas, o Boca Juniors entrou em contato com ele, repetindo o que fizeram Liverpool, Manchester e a Fifa. O mais incrível nessa história toda é que os filmes são feitos com recursos próprios. O plano inicial era fazer da G7 Investimentos um fundo de private equity para capitalizar as produções, ideia que será usada em futuros negócios de Ioschpe. No cinema, ele entendeu como produzir e distribuir com qualidade e baixos custos.
Seus trabalhos não saem por mais de R$ 1,5 milhão. Só o retorno que é guardado a sete chaves. “Há uma tendência de unir o esporte ao cinema com materiais de boa qualidade, preço barato e bons retornos”, diz Christian de Castro, diretor da Primum Entertainment. As façanhas de qualquer time podem virar uma grande história. Mas, como no futebol, cinema também depende de boa fase.