13/04/2001 - 7:00
Sábado não é um dia convencional de expediente no ABN Amro Bank. Mas, no primeiro sábado deste mês, todos os 24 funcionários do departamento de data-base de marketing tiveram um compromisso profissional. Diferente da rigidez das reuniões. Em vez de paletó e gravata, roupas confortáveis, tênis e protetor solar. Às 8h30 foi dada a largada para o desafio mais inusitado que qualquer um deles já viveu dentro da empresa. Um teste de habilidades físicas e comportamentais numa gincana no melhor estilo ?No Limite?. O currículo de cada um pouco importava. O que estava em jogo, naquelas horas de atividade, era a capacidade de integração e relacionamento. Isso no meio de uma floresta de eucaliptos, com obstáculos naturais e outros artificiais.
A primeira impressão era a de que tudo não passava de uma grande brincadeira. Com uma diferença: ninguém estava ali por opção, nem escolheu o grupo pela lista de amigos. Na brincadeira, o objetivo era encontrar peças de um quebra-cabeça espalhadas no meio do mato. Nas entrelinhas, o objetivo era integrar a equipe. E não há lugar melhor para conhecer um colega de trabalho do que fora do escritório. Pelo menos é o que acreditam os consultores de RH. ?Focamos a confiança, o respeito e a integração do grupo?, conta Júlio Bin, da Gecko, empresa que organizou a atividade.
O primeiro obstáculo: uma árvore centenária que precisava ser escalada com a ajuda do resto do grupo. Hora de testar a confiança nos colegas. Afinal, qualquer falha significaria uma queda de uma altura de mais de 15 metros. Depois, um tanque de barro onde todos, independente de salário e prestígio, precisavam colocar a mão na terra para encontrar mais uma peça do quebra-cabeça.
Uma lição de igualdade. Mais tarde, uma travessia de 15 metros num tronco antigo sobre um abismo de 10 metros de altura. Cada um teve de testar o equilíbrio emocional naquele momento. Por último, a tarefa de atravessar um lago de 60 metros de largura e cinco metros de profundidade. Com um detalhe: apenas três botes individuais, três coletes e uma corda para oito pessoas. Espírito de equipe em jogo.
Entre sucessos e atropelos, salvaram-se todos. No resumo da ópera, existem coisas que não mudam, nem mesmo no mais remoto lugar e nem diante do mais inusitado objetivo. Os tímidos são os tímidos, os comunicativos continuam sendo os comunicativos e, principalmente, o chefe é o chefe. A hierarquia fala mais alto que o espírito de liderança, mesmo no meio do mato. Ok, é assim. Mas a parte mais importante desse grande desafio ainda está por acontecer. O que vai medir os resultados do esforço é o dia seguinte, quando todos se encontram, de novo de paletó e gravata, no escritório. ?Nenhuma experiência tem resultado se não houver um ambiente que proporcione mudanças?, conta José Augusto Minarelli, da Lens&Minarelli, empresa de outplacement de São Paulo. Se o local de trabalho continuar sendo como era antes, o dia de gincana ficará na memória, apenas.