O economista bengalês Muhammad Yunus, Prêmio Nobel da Paz em 2006 e mundialmente conhecido como o “banqueiro dos pobres”, foi demitido do banco que ele mesmo fundou, o Grameen Bank.

Sites de notícias estrangeiros e jornais noticiaram nesta quarta-feira (2) que o motivo da demissão de Yunus de sua própria empresa tem a ver com a lei trabalhista de Bangladesh. Nascido em 1940, o economista já teria ultrapassado a idade máxima para se aposentar. A lei exige que um funcionário encerre a carreira aos 60 anos, mas Yunus completará 71 em julho.

Apesar do argumento da aposentadoria, o movimento contra Yunus pode ter outra motivação. No fim de 2010, uma rede de televisão da Noruega exibiu um documentário que denunciava um possível desvio de fundos entre duas entidades do Grupo Grameen, em 1996.

A notícia irritou a primeira-ministra Sheikh Hasina. O governo bengalês é dono de uma fatia de 25% do total de ativos do banco. Hasina o acusou de tentar sonegar impostos e abriu uma investigação contra ele.

Yunus, que sempre criticou o governo por não dar atenção aos pobres, se defendeu das críticas afirmando que o dinheiro havia, sim, sido enviado para a Noruega em 1996, mas retornou a Bangladesh em 1998 ? o que não justifica a acusação de desvio.

Em janeiro, Yunus compareceu a um tribunal de Bangladesh por uma acusação de difamação feita em 2007, o que complicou ainda mais a situação jurídica do economista. Na semana passada, o governo ordenou uma investigação sobre as práticas financeiras da organização de microcréditos fundada por Yunus.