Capture o momento, capture o mercado, diz o novo slogan da Nokia. A gigante finlandesa das comunicações, líder mundial na venda de celulares, está nas ruas da Europa com uma campanha destinada a vender o novíssimo conceito de telefonia multimídia. Dias atrás a empresa ocupou o Palácio de Congressos de Barcelona, na Espanha, para mostrar ao mundo a última geração de seus aparelhos ? entre eles o 7650, capaz de tirar fotografias digitais e transmiti-las instantaneamente, acompanhada ou não de som, a um outro telefone ou a um computador ligado à Internet. Quer dizer: a vovó poder receber, na tela do seu celular, a foto colorida do netinho que acaba de soprar as velinhas a centenas ou milhares de quilômetros de distância. Essa é a captura do momento. A captura do mercado vai ser tentada no segundo semestre de 2002, quando o produto de US$ 600, entre outros da safra multimídia, estiver à venda. ?A evolução de mensagens de texto para mensagens multimídia marca uma nova era para a comunicação móvel?, disse Jorma Ollila, presidente mundial da Nokia. ?Os lançamentos de hoje representam um grande passo para a indústria.?

Ninguém duvida de que esse setor passa por uma radical transformação tecnológica. Depois de se ter conectado à Internet através do WAP, os telefones celulares estão ingressando, agora, no mundo das imagens e dos sons ? em preparação para a chamada Terceira Geração, 3G, que fará circular na rede sem fio as imagens em movimento. Ela permitirá, por exemplo, que se faça da rua uma chamada telefônica com imagens, um velhíssimo sonho da ficção científica. Que esse é o curso técnico da mudança já foi confirmado pelo lançamento recente e bem-sucedido no Japão dos primeiros telefones 3G. O que ainda não se descobriu é se o público está disposto a pagar o preço desse salto tecnológico. O WAP foi recebido pelos consumidores com um certo desdém, e o mesmo está ocorrendo com a freqüência de 2,5 G usada pelos novos aparelhos da Nokia. O problema parece ser que não existe um número relevante de serviços que façam uso do potencial da nova tecnologia e justifiquem a compra de um novo aparelho. ?Não acredito que exista uma aplicação definitiva, aquela que fará com que todos os consumidores corram atrás dos nossos telefones?, disse à DINHEIRO o executivo finlandês Niklas Savander, vice-presidente mundial de estratégia da Nokia. ?A mudança será gradual, incremental. Aos poucos o mercado e os consumidores descobrirão todos os recursos oferecidos pelas novas tecnologias.?

 

Novos usos. Esse palavreado tranqüilo não traduz a ansiedade da Nokia em encontrar e estimular novos usos para os aparelhos celulares. Responsável por 40% das vendas do mercado mundial e líder tecnológica, cabe a ela a tarefa de mapear a próxima onda de expansão e evitar que a recessão global e a saturação dos mercados derrubem sua taxa de crescimento de 15%. É isso ou perder a dianteira para concorrentes como Motorola, Ericsson-Sony e Samsung.

 

Em Barcelona, a Nokia tentou vincular sua nova tecnologia às aplicações empresariais e financeiras, mas não havia em exibição nenhuma solução realmente empolgante. Na área de lazer a situação parece melhor. Além do modelo fotográfico 7650, cuja tela colorida oferece um óbvio chamado de consumo, foram lançados também os modelos 5510 e 5210, com forte apelo de uso pessoal. O primeiro é um misto de telefone, rádio, gravador de música digital e intercomunicador Internet. Permite que as pessoas troquem mensagens escritas ao mesmo tempo em que escutam músicas tiradas da Internet. Claro, o aparelho tem por alvo o público jovem. Um outro lançamento, o 5210, aposta pesado na aparência e no fato de o celular ter se tornado o mais pessoal dos eletroeletrônicos ? aquele que as pessoas carregam a toda parte e que, de alguma forma, pode refletir seus gostos e preferências. Ele é pequeno, colorido e recoberto por uma casca de borracha que o torna menos vulnerável a choques e umidades. Em todos esses novos equipamentos estão instalados jogos eletrônicos cada vez mais poderosos ? que parecem ser um grande diferencial de uso, se não de venda. ?Pesquisas japonesas mostram que mais de 80% das pessoas jogam nos telefones?, afirma Ian Baverstock, da companhia inglesa Kuju, produtora de games. Ele estava em Barcelona demonstrando seus novos produtos criados para a tela colorida do Nokia 7650. ?Os jogos para celulares já movimentam mais de um bilhão de dólares ao ano.? A pergunta é: será que esse tipo de aplicação ligeira manterá o crescimento do mais próspero setor do mercado de eletroeletrônicos? Da resposta depende o futuro da Nokia.