A NOKIA QUER DAR TODO poder à música. É o que diz o slogan de sua atual campanha e o estado de espírito de Almir Narcizo, o presidente da empresa no Brasil, que aparece descontraído na foto ao lado. Apesar de ocupar uma posição confortável como líder mundial em venda de celulares – cerca de um terço dos aparelhos existentes no mundo é de sua fabricação -, a finlandesa procura novos caminhos para continuar crescendo. “Percebemos que o mundo de celulares corre o risco de saturação e, conseqüentemente, os preços estão caindo”, afirma Narcizo. Mas a empresa ainda vê muito espaço a ser ocupado. E um deles é o Brasil. O índice de celulares per capita por aqui ainda é muito inferior ao dos países desenvolvidos. “A verdadeira inclusão digital está no celular e não no computador de US$ 100”, diz o presidente, convicto de que a empresa poderá comandar essa revolução no Brasil. A previsão é de que, até 2011, o mundo atinja a marca de cinco bilhões de aparelhos – hoje são 3,5 bilhões. “E, para manter a seqüência de novidades tecnológicas e o valor agregado sobre os produtos, é preciso investir em serviços”, acrescenta ele. Desde 2006, a companhia adquiriu 12 empresas de produção de conteúdo digital com a ambição de se tornar igualmente líder em serviços de internet. Criou o OVI, portal de conteúdo que oferece games, música, mapas e armazenamento de fotos para celular. O Brasil se encaixa perfeitamente nessa estratégia. É um país jovem, apaixonado por música e adota novidades tecnológicas com muita rapidez. Até o final do ano, a companhia irá inaugurar uma loja de música digital no Brasil, a primeira da América Latina, e o OVI em português.

A verdadeira
inclusão digital está
no celular e não
no computador de
US$ 100

A estratégia focada em música tem surtido por aqui um efeito mais acentuado do que em qualquer lugar. Foi no Brasil e pela Nokia, em parceria com a Vivo, que pela primeira vez no mundo um cantor recebeu o prêmio Celular de Platina, pela venda de mais de 200 mil títulos, embarcados no celular. A cantora Pitty recebeu a menção pela venda do Nokia 5200 com o conteúdo do álbum (Des)concerto ao Vivo na memória. Uma das principais motivações é o preço dos celulares com MP3, que começa por R$ 199, sem o subsídio das operadoras. Com um preço acessível, a empresa aposta no aumento de vendas a pessoas que nunca tiveram um player de música digital. De acordo com uma pesquisa realizada pela empresa Pyramid Research, os celulares com tocador de MP3 representaram 17% do mercado em 2007 na América Latina. As vendas devem triplicar até 2012, passando de 40 milhões de aparelhos vendidos este ano para 115 milhões em quatro anos. Até lá, esses modelos representarão 58% do total na América Latina. Com a entrada de fabricantes de aparelhos nesse segmento, surge um impasse com as operadoras que já forneciam o serviço. Mas a Vivo garante que a concorrência pode ser positiva. “Contribui para disseminar uma cultura mais adepta a esse serviço”, diz Fabio Freitas, gerente de ofertas premium da Vivo. Para os finlandeses da Nokia, o País é sinônimo de oportunidades. Trata-se do décimo mercado para a fabricante no mundo. Em 2007, a Nokia do Brasil registrou receitas líquidas de 1,2 bilhão de euros – 20% superior a 2006. Na mesma época em que o iPhone deve desembarcar no Brasil, a Nokia lançará o N96, por aproximadamente R$ 2 mil (veja ao lado). Em seus mais de 140 anos de existência, esse é o momento de maior transformação na história da Nokia. E o Brasil é um dos grandes responsáveis.