22/06/2004 - 7:00
Algumas vezes, você precisa copiar a concorrência?, admitiu, em um arroubo incomum de transparência para executivos de seu porte, o vice-presidente da Nokia, Juha Putkiranta, referindo-se aos telefones celulares com flip
(que abrem e fecham), as principais novidades da empresa para o segundo semestre deste ano. E não haveria qualquer surpresa na chegada dos modelos 2650, 6170 e 6260 se o flip não fosse uma espécie de tabu para a Nokia, algo que jamais havia feito parte de seu cardápio de produtos. A gigante finlandesa, do alto da posição de líder absoluta nas vendas há duas décadas, durante anos se apoiou na tese de que o bom celular é aquele que ?fala?. Esqueceu-se de que a embalagem (o design), num produto de consumo, étão vital quanto a tecnologia. A empresa costumava até desdenhar da real eficiência dos celulares com flip. A demora em se render à tendência do mercado lhe custou caro. Além de ser obrigada a reconhecer os méritos da concorrência, o board de executivos da Nokia ainda teve outro assunto delicado durante evento que reuniu a imprensa mundial em sua sede, em Helsinque, na última semana: a perda de participação de mercado. Para quem encerrou 2003 com share de 38% (a previsão era crescer para 40% em 2004), a queda para 32% no primeiro trimestre parece terrivelmente indigesta. Diante dos números, o CEO Jorma Ollila comentou: ?Temos boa participacão de mercado e as metas estão sendo cumpridas?. Será?
Olilla, CEO: queda de 8% no volume de vendas no primeiro trimestre
?Os produtos da Nokia não vinham conseguindo combater os modelos das rivais?, diz Ben Wood, da empresa americana de pesquisas Gartner. É isso que os finlandeses tentam corrigir. Os novos celulares pretendem preencher todas as categorias do setor, dos populares aos sofisticados. O modelo básico 2650 custará, na Europa, 120 euros (R$ 480). O 6170, com câmera fotográfica e acesso à internet, sairá por 250 euros (R$ 1.000). E o top de linha 6260, por 400 euros (R$ 1,6 mil). Eles devem chegar ao Brasil no final deste ano.
Curiosamente, a mesma Nokia que causou bocejos ao apresentar sua nova linha de celulares com flip, tem a 700 km de Helsinque um celeiro de novidades hi-tech, com formato futurista. No centro de pesquisa da empresa, em Oulu, jovens passam o dia inventando dispositivos e acessórios telecom. O que dizer, por exemplo, de um celular que fotografa e envia a imagem para um? ?colar?? O Nokia Medallion pode armazenar até oito fotos e tem um software que vai trocando as telas no tempo desejado. Ideal para quem tem filhos e quer exibi-los no pescoço. Isso sem falar na futurista fun camera e suas linhas arredondadas (leia quadro). Mas essas duas Nokias conversam entre si?
Segundo Tero Ojanperä, vice-presidente de Pesquisa e Desenvolvimento da Nokia, nos últimos tempos a empresa tem dado mais ênfase ao seu departamento de criação. ?O desafio é descobrir as formas como as pessoas querem se comunicar?. A proposta é investir pesado no conceito multimídia. O Nokia 6630, por exemplo, permite assistir a qualquer canal de TV e guiar-se no trânsito via satélite com mapinha eletrônico (o aparelho tem GPS). Tero anuncia, também, os próximos passos: tornar o celular projetor de imagens e controle de radiofreqüência, abrindo portões de garagem e acendendo a luz de casa. A Nokia está atenta.
A OUTRA NOKIA
Os protótipos que estão saindo do laboratório da companhia
MEDALLION
Um celular fotografa e envia a imagem para o colar. O software do Medallion troca as fotos no visor no tempo desejado
SPACE FRAME
Porta-retrato digital, que vai passando até 50 fotos recebidas de um celular
FUN CAMERA
Primor de design, a câmera digital com linhas arredondadas tem resolução de cinco megapixels
KALEIDOSCOPOE
Lembra um interruptor de luz, mas é uma microcâmera digital que pode ser levada no pescoço e tem três megapixels