O procurador-geral da República, Rodrigo Janot, escolheu nesta  quinta-feira, 8, o subprocurador-geral da República José Bonifácio  Borges de Andrada para o cargo de vice-procurador-geral da República. A  portaria deve ser publicada no Diário Oficial da União desta  sexta-feira, 9.

O novo vice de Janot foi advogado-geral da  União durante o último ano de governo de Fernando Henrique Cardoso, em  2002, e advogado-geral de Minas entre 2003 e 2010, quando o senador  Aécio Neves (PSDB-MG) era governador do Estado.

A ligação  com o PSDB vem de casa. Bonifácio é filho de um dos mais longevos  deputados da história, o tucano Bonifácio de Andrada, que ocupa uma  cadeira na Câmara desde 1979.

Bonifácio vai substituir Ela  Wiecko, que deixou o cargo na semana passada após um vídeo em que  aparece numa manifestação contra o impeachment vazar na internet. A  gravação foi feita em junho, quando estava de férias em Portugal. Após o  episódio vir a público, ela pediu dispensa do cargo.

Segundo  fontes da PGR, a escolha de Janot tem um componente político. Ao  substituir Ela, que tinha uma posição mais à esquerda, por um nome  ligado ao PSDB, Janot espera construir uma ponte com o novo governo do  presidente Michel Temer. Bonifácio também é um nome que tem bom trânsito  com os demais subprocuradores e é próximo do ministro do Supremo  Tribunal Federal Gilmar Mendes, que tem feito reiteradas críticas à  atuação da PGR na Operação Lava Jato.

É papel do vice  assumir o comando do Ministério Público Federal durante as ausências de  Janot. Ele também poderá representar a instituição em julgamentos no  Supremo Tribunal Federal (STF) e sessões do Conselho Nacional de Justiça  (CNJ). Bonifácio deve herdar ainda o comando da Operação Acrônimo, que  tem como alvo o governador de Minas Fernando Pimentel (PT).

Bonifácio,  de 59 anos, é natural do Rio de Janeiro, mas se formou em Direito pela  Pontifícia Universidade Católica de Minas. Ele foi nomeado para o cargo  de procurador da República em outubro de 1984. Em outubro de 2009, foi  promovido a subprocurador-geral da República. Na Procuradoria-Geral da  República, já atuou em processos perante o Superior Tribunal de Justiça  e, no período de 2014 a 2016, foi coordenador da 2ª Câmara de  Coordenação e Revisão, que trata de matéria criminal.