09/02/2005 - 8:00
No início de janeiro, em uma feira de eletroeletrônicos em Las Vegas, EUA, o CEO da sul-coreana LG, Kim Ssang Su, deixou seus interlocutores espantados: ?A Samsung é um exemplo para a LG?. Seria como se o chefão da Ford admitisse que imita as receitas corporativas da GM. Adversidades culturais à parte, o fato é que Kim promete elevar a LG à condição de ?top three? mundial no setor de eletroeletrônicos até 2010, ao lado de Sony e Philips. A idéia é crescer 30% neste ano, o que elevaria o faturamento da empresa para algo como US$ 100 bilhões.
Dona de um lucro líquido de US$ 1,5 bilhão em 2004, a LG ainda está distante dos US$ 10 bilhões auferidos pela Samsung. Ocorre, entretanto, que metade dos dividendos da adversária é obtida na divisão de chips eletrônicos, segmento em que a LG participa de modo incipiente. Em outras palavras, a distância não parece tão elevada nos demais setores. Além disso, a curva pode começar a inverter nos próximos anos: a divisão de celulares, apontada como segmento de maior potencial de crescimento, tem recebido vultosos investimentos em pesquisa de desenvolvimento por parte da LG. Tanto que a previsão é suplantar a Samsung em 2006.
No Brasil, a parcela de contribuição da subsidiária deverá ser cumprida com certa facilidade. A LG lidera metade dos segmentos em que participa por aqui: TVs, monitores, videocassetes e DVDs. A despeito da missão de crescer 30%, a LG brasileira quer ir mais longe. Sua próxima cartada é triplicar a produção de telefones celulares no País, saltando de 2 milhões em 2004 (cerca de 5% do volume mundial da marca) para 6 milhões no próximo ano. Para isso, a LG está construindo uma nova fábrica em Taubaté (SP), que, quando ficar pronta, em junho próximo, aumentará a capacidade de produção para 500 mil aparelhos por mês ? exatamente o objetivo traçado até 2007.
Desembolsando US$ 40 milhões na nova planta, a LG vai se munir de outros chamarizes para cumprir seu plano de metas: os atuais dez aparelhos se transformarão em 16 modelos distintos, divididos entre as tecnologias CDMA e GSM, em que ela já atua. ?A matriz quer saltar da quinta para a terceira posição no ranking mundial de vendas de telefones móveis. Nossa missão é auxiliá-la?, explica Carlos Melo, diretor de vendas de celulares da LG. À frente, a companhia enxerga Nokia, Motorola, Samsung e Siemens.
Dinheiro não falta, pois, além da nova fábrica, a companhia desembolsa 4% (US$ 9,6 milhões) de seu faturamento local na unidade de celulares ? estimado em US$ 240 milhões ? para desenvolver novas versões e tecnologias. ?Como há muitos novos competidores chegando, quem conseguir manter sua participação é porque estará vendendo volumes bem maiores. Crescer é dificílimo?, despista Melo, informando que a empresa está satisfeita com a fatia de 18% dos celulares que detém no Brasil (no mundo, o share é de apenas 7%). Será mesmo? A julgar pelos resultados proeminentes da subsidiária brasileira do grupo LG, que previa faturar US$ 800 milhões em 2004 e US$ 1 bilhão este ano (e refez as duas estimativas com 10% de acréscimo), a ?incômoda? posição de terceira maior fabricante de celulares não deve perdurar por muito tempo ? pelo menos no Brasil. É muito mais, até, do que Kim poderia sonhar.
30% é a previsão de crescimento da receita da LG para este ano