Pelo menos duas pessoas morreram e mais de 30 ficaram feridas neste domingo em três cidades na província afegã de Kandahar (sul), no terceiro dia de manifestações violentas contra a queima do Alcorão nos Estados Unidos.

Os violentos protestos pela queima do Alcorão, em 20 de março pelo pastor americano Terry Jones na Flórida, provocaram 24 mortes no Afeganistão desde sexta-feira, incluindo sete funcionários da ONU na cidade de Mazar I Sharif, norte do país.

Neste domingo, uma pessoa morreu e 18 ficaram feridas em uma explosão durante um protesto em Kandahar.

“Dezoito manifestantes ficaram feridos e um morreu na explosão de um botijão de gás”, afirmou à AFP o médico Abdul Qayum Pajla, secretário de Saúde na província de Kandahar.

“Foi uma explosão acidental”, afirmou o porta-voz do ministério afegão do Interior.

“Um botijão de gás explodiu na guarita da polícia de trânsito que foi incendiada pelos manifestantes”, completou.

Mais cedo, uma pessoa morreu e 16 ficaram feridas em três cidades da província meridional afegã de Kandahar.

“O hospital recebeu 16 pessoas feridas por pedradas e tiros, incluindo dois policiais”, declarou Pajla.

Uma fonte do governo local, que pediu anonimato, afirmou à AFP que uma pessoa morreu nos protestos.

De acordo com Pajla, os feridos participaram em manifestações nos distritos de Panjwayi Zahrai, Dand e na cidade de Kandahar, a capital provincial.

“Dois feridos estão em situação crítica”, disse.

Em um comunicado, o governo de Kandahar afirma ter ordenado às forças de segurança a proteção dos manifestantes e dos locais, públicos ou privados.

No sábado, 10 pessoas morreram e 83 ficaram feridas em Kandahar durante uma violenta manifestação infiltrada, segundo as autoridades provinciais, por insurgentes talibãs armados.

Em Jalalabad, 150 km ao leste de Cabul, 500 estudantes bloquearam parcificamente durante três horas a estrada que liga a cidade à capital e exigiram que o pastor Terry Jones seja julgado.

Centenas de pessoas também protestaram nas ruas de Charikar, capital da província de Parwan, ao norte de Cabul.

Na sexta-feira, quase 3.000 manifestantes atacaram o complexo da ONU em Mazar i Sharif e mataram três funcionários europeus e quatro guardas nepaleses das Nações Unidas. Cinco manifestantes afegãos também morreram no mesmo dia.

O representante especial do secretário-geral da ONU para o Afeganistão, Staffan de Mistura, afirmou no sábado que o ataque não afetará a presença e as atividades da ONU no país.

O presidente afegão, Hamid Karzai, pediu neste domingo ao colega americano, Barack Obama, e ao Congresso dos Estados Unidos que trabalhem para que a queima do Alcorão não se repita no futuro.

Durante uma reunião do Conselho Nacional de Segurança, Karzai pediu ao presidente americano e ao Congresso que condenem o ato de forma clara.

O embaixador americano no Afeganistão, Karl Eikendberry, o comandante da Força Internacional de Assistência à Segurança (Isaf) da Otan, o general americano David Petraeus, assim como o representante civil da Aliança Atlântica, o britânico Mark Sidwell, participaram na reunião.

No dia 24 de março, Karzai condenou a queima do Alcorão e disse que o pastor extremista Terry Jones deve ser julgado.

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