05/01/2005 - 8:00
Fechadas as contas, ficou claro: em 2004 foram os produtos manufaturados, e não mais os agrícolas, que levaram o Brasil a bater novo recorde de exportações. As vendas externas de aviões, carros, caminhões, calçados e até dois navios-plataforma cresceram 33,5%, enquanto as exportações em geral tiveram aumento de 32%. O superávit comercial no ano passado atingiu US$ 33,7 bilhões, valor 36% maior que o de 2003. Isso reflete, segundo o ministro Luiz Furlan, o ?excepcional esforço? para ampliar e diversificar as exportações. Do total de US$ 96,47 bilhões exportados, US$ 53 bilhões foram em produtos manufaturados. Para perceber o que isso significa, basta lembrar que as vendas de automóveis superaram em US$ 900 milhões as vendas de soja. ?Em 2005, mesmo com o câmbio menos favorável, o nosso ritmo de expansão continuará expressivo?, prevê Roberto Cortes, CEO da Volks Caminhões. Em 2004, a empresa exportou 5.724 unidades, 110% mais que em 2003, além de ter vendido e montado fábricas inteiras de caminhões na Colômbia, México e África do Sul. O próximo alvo será os Emirados Árabes.
?O câmbio e a recuperação das economias dos EUA e da Europa ajudaram muito?, diz o presidente da Abimaq, Newton de Mello. O setor de máquinas e equipamentos exportou 40% a mais em 2004, somando US$ 6,7 bilhões. No ano passado o Brasil, que tradicionalmente importa os equipamentos utilizados pela indústria, vendeu tanto quanto comprou para mercados como EUA e Alemanha. ?Nos últimos anos houve um grande investimento e com a queda do real nos tornamos competitivos?, diz Mello. O mesmo tem ocorrido no setor de moda. As vendas de couros e calçados somaram US$ 3,3 bilhões em 2004 e a estimativa para 2005 é elevar esse número em 15%. ?Vamos compensar a valorização do real ante o dólar atuando mais no mercado europeu?, diz Francisco Santos, presidente da Couro Moda. Ao lado desse otimismo paira uma grande preocupação com a alta do real. O ministro Furlan prevê aumento de 12% nas exportações, mas o setor privado está mais cético. O presidente da Associação Brasileira dos Exportadores, José Augusto de Castro, diz que bons resultados dependem de um dólar próximo a R$ 3. ?A queda do dólar afetará especialmente as exportações de manufaturados?, diz ele. Seria uma pena se o Brasil voltasse atrás nesse caminho.