17/10/2007 - 8:00
Ao longo dos últimos 32 anos, o empresário Roberto Bielawski criou uma após outra seis diferentes cadeias de restaurantes, que, juntas, somavam 60 pontos-de-venda. Mas o fôlego financeiro de Bielawski acabou. Sem capital para manter sua política de expansão, o empresário de 57 anos vendeu a jóia da coroa de seu grupo, o Viena, para o fundo de private equity Advent International. A oferta, dizem os dois lados, foi milionária, mas os valores da transação não foram revelados. Mas, tão logo pôs as mãos no Viena, o Advent colocou a rede de restaurantes novamente no caminho do crescimento. Fundiu suas operações com as do Grupo RA, adquirido no início deste ano e que detém a concessão de serviços de alimentação nos aeroportos de Congonhas e Cumbica, em São Paulo, e Confins e Pampulha, em Minas Gerais. Juntas, as empresas terão 90 lojas e deverão faturar R$ 300 milhões em 2007. O plano, no entanto, não é parar por aqui.
A união entre as duas bandeiras vai gerar outros filhotes, além da economia nas compras e na gestão. O Grupo RA já possui os pontos onde uma marca forte e tradicional como o Viena pode fazer diferença. Conceitos como o do V.Café, um coffee shop localizado na Livraria Cultura do Conjunto Nacional, em São Paulo, podem desembarcar em breve nos aeroportos e servir de impulso para mudar a imagem ruim de refeições servidas nesses locais. ?O Viena precisa de expansão e o RA de renovação?, afirma Patrice Etlin, principal executivo do Advent. O comando desse negócio foi entregue ao executivo Martín Emiliano, fundador do site Submarino e responsável pelo processo de fusão com a Americanas. com, que fez nascer a companhia B2W.
Com essa segunda compra no Brasil, o Advent International dá passos decisivos em seu plano de montar uma holding no setor de varejo de alimentos, com peso suficiente para o lançamento de ações na bolsa. Esse setor oferece poucas opções para os investidores nos pregões. Etlin mira no exemplo do Dufry, a rede de lojas em aeroportos que no ano passado foi à Bolsa e captou R$ 750 milhões na oferta primária. Os grupos RA e Viena são os primeiros do setor de alimentos na carteira do Advent, porém no México o fundo tem participação na churrascaria La Mansión e na rede de bistrôs Champs. ?O Advent continua com um foco muito forte no varejo?, diz Etlin. O capital para levar esse projeto adiante vem do fundo de investimento recém-formado para países da América Latina de US$ 1,3 bilhão, de onde saiu o dinheiro para arrematar o Viena. O cardápio de aquisições continua aberto.