O novo governo egípcio prestou juramento neste sábado ante o presidente Abdel Fatah al-Sisi, uma semana depois da renúncia do governo anterior, fragilizado por um escândalo de corrupção.

O ex-ministro do Petróleo Sherif Ismail, um tecnocrata com grande experiência nas empresas estatais, é o novo chefe de Governo.

No primeiro discurso após a posse, Ismail pediu paciência aos egípcios, porque o governo “não tem uma varinha mágica” para resolver todos os problemas do país.

“Vamos precisar de tempo para solucionar alguns problemas”, disse.

O Egito tem uma economia fragilizada e enfrenta o aumento do número de ataques dos grupos jihadistas contra as forças de segurança.

O Executivo conta com 16 novos ministros e 33 pastas, segundo a presidência.

Os principais ministros permanecem no cargo, como Sameh Shukry nas Relações Exteriores, Magdy Abdel Ghaffar no Interior, Sdki Sobhi na Defesa e Hany Qadri Yusef Damian nas Finanças.

O ministério conta com apenas três mulheres.

O governo do ex-primeiro-ministro Ibrahim Mahlab, renunciou em 12 de setembro, após a detenção do ministro da Agricultura Salah Helal por um caso de corrupção.

O governo também enfrentava críticas por atrasos em alguns projetos econômicos.

O novo Executivo toma posse a poucas semanas das eleições legislativas de 17 de outubro e 2 de dezembro, votações que devem acontecer com uma ausência quase total de oposição.

A Irmandade Muçulmana, que liderou a oposição por muitas décadas, foi declarada “organização terrorista” em 2013 e as principais vozes dissidentes, tanto laicas como liberais, em particular os líderes das juventudes revolucionárias, que ajudaram a expulsar do poder em 2011 o presidente Hosni Mubarak, estão detidas.

As últimas legislativas aconteceram no fim de 2011 e terminaram com a vitória da Irmandade Muçulmana de Mohamed Mursi, que seis meses depois se tornou o primeiro presidente eleito democraticamente no Egito. Ele foi destituído pelo exército em julho de 2013 e seus partidários foram reprimidos de maneira violenta.