15/12/2004 - 8:00
O ano de 2005 marcará o início de um novo ciclo para o mercado de capital de risco (venture capital) e private equity no Brasil. O número de fundos deste gênero, especializados em investir em pequenas e médias empresas, ajudá-las a crescer e vendê-las para terceiros, deve pelo menos dobrar nos próximos doze meses, passando dos atuais 14 para algo em torno de 30. Por trás do movimento, está o esgotamento (com sucesso) do ciclo anterior, iniciado em 1995. Como o tempo médio de permanência neste tipo de investimento é de 10 anos, a maioria das aplicações criadas naquela época está vivendo a fase de venda das participações. Chegou, portanto, o momento de novas captações. ?Até 2015, o patrimônio desta indústria deverá passar dos R$ 4 bilhões atuais para R$ 20 bilhões?, calcula Álvaro Gonçalves, presidente da Associação Brasileira de Capital de Risco.
Três das sete empresas que abriram seu capital neste ano (Gol, ALL e Diagnósticos da América) tinham por trás delas fundos de private equity. Com o lançamento de ações, estes investidores recuperaram, com um belo lucro, as aplicações que fizeram. No caso da Gol, o retorno do investimento feito pela AIG Capital ultrapassou 500% em menos de dois anos, transformando-se em uma vitrine do capital de risco no Brasil. ?O lançamento das ações dessas empresas provou que é possível fazer private equity no País?, atesta Paulo Henrique de Oliveira Santos, presidente da Votorantim Novos Negócios, braço de investimento do Grupo Votorantim. Na lista de companhias que se preparam para abrir capital em 2005, pelo menos quatro contam com a participação de capitalistas de risco: Nutrella (alimentos), CSU (pagamentos eletrônicos), RM Sistemas (software) e WayTec (monitores).
A fase agora é de captação de novos recursos e novas empresas. No início deste mês, a Votorantim Novos Negócios anunciou a compra do controle acionário da Proceda, especializada na terceirização de tecnologia da informação. Ao mesmo tempo, a Intel Capital comunicou um investimento na Yavox, provedora de soluções para serviços celulares. A AIG Capital é outra que foi às compras e arrematou a empresa de fertilizantes Heringer, além de 14,86% do capital da Sendas Distribuidora. E é só o começo. ?Estamos em busca de mais empresas?, avisa Fábio de Paula, gerente de investimentos estratégicos da Intel Capital. ![]()
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