30/05/2014 - 10:28
Nova York, 30 – As bolsas dos Estados Unidos devem abrir o último pregão de maio em baixa, sinalizam os índices futuros. Os investidores digerem indicadores mistos divulgados esta manhã, que mostraram renda em alta, consumo em queda e aceleração da inflação em abril. Uma das expectativas do dia é para a primeira apresentação pública da nova dirigente do Federal Reserve (Fed, o banco central norte-americano) de Cleveland. Às 10h20 (de Brasília), no mercado futuro, o Dow Jones perdia 0,13%, o Nasdaq recuava 0,09% e o S&P 500 cedia 0,16%.
Além da dirigente do Fed de Cleveland, vários outros presidentes regionais do BC falam hoje e a agenda tem ainda indicadores importantes da economia. Ontem, mesmo com números macroeconômicos mistos, o S&P 500 fechou em nível recorde de pontos e a expectativa é ver se o índice consegue fechar o mês em mais um patamar inédito.
O dia começou com a divulgação de números da renda e dos gastos com consumo dos norte-americanos, os dois abaixo do esperado. O primeiro subiu 0,3% em abril ante março. A expectativa era de alta de 0,4%. Já os gastos com consumo recuaram 0,1%. A projeção era de avanço de 0,1%.
Por sua vez, o índice de preços dos gastos com consumo pessoal (PCE, na sigla em inglês), medida preferida de inflação do Fed, subiu 0,2% em abril e acumula alta anual de 1,6%, a maior desde novembro de 2012. Apesar de ainda estar abaixo da meta do Fed, de 2%, a inflação dá sinais de se acelerar. Até março, o aumento acumulado era de 1,1%. “O fato de os índices de inflação terem ficado um pouco mais altos em abril vai dar mais confiança ao Fed”, destaca o economista do BMO Capital Markets Michael Gregory.
Após a abertura do mercado, sai a leitura final do índice de sentimento do consumidor da Universidade de Michigan de maio e o índice de atividade industrial (ISM, na sigla em inglês) de Chicago, região conhecida pela indústria da cadeia automobilística e, portanto, um termômetro para os dados da manufatura no país. Ontem, a segunda leitura do Produto Interno Bruto (PIB) do segundo trimestre mostrou os investimentos privados com fraco desempenho e a expectativa é verificar se os números melhoram entre abril e junho.
Para o índice de sentimento do consumidor, que será divulgado às 10h55 (de Brasília), o Bank of America Merrill Lynch projeta queda para 82,5, ante 84,1 em abril. A alta de preços de alimentos, do gás e o aumento modesto dos salários deve contribuir para a piora na confiança.
Além dos indicadores, a nova presidente do Fed de Cleveland, Loretta Mester, fala pela primeira vez em público. Ela está assumindo dia 1º o lugar de Sandra Pianalto, que tem direito a voto nas reuniões do Comitê Federal de Mercado Aberto (Fomc) este ano, está se aposentando e já declarou esta manhã que a estabilidade de preços é fundamental para a economia. Mester vai participar da reunião de política monetária do mês que vem como votante e fará uma apresentação durante almoço a partir das 13h30 (de Brasília).
A dúvida de Wall Street é sobre a posição de Mester, se mais a favor de juros baixos, ou “dovish”, pelo jargão do mercado financeiro, ou ao contrário, mais “hawkish”, ou seja, defensora de uma política de taxas mais altas. A nova dirigente veio do Fed da Filadélfia, comandado por Charles Plosser, conhecido por sua postura mais “hawkish” e mais crítica às compras de ativos. Plosser tem apresentação prevista para às 18h (de Brasília).
No noticiário corporativo, depois de uma semana agitada com várias fusões e aquisições, a sexta-feira começou com noticiário mais esvaziado. Um dos destaques desta manhã foi a Apple, que teve o preço-alvo de suas ações elevado pelo Goldman Sachs, de US$ 635 para US$ 720, devido a expectativas de melhora do fluxo de caixa. Na próxima segunda, dia 2, a empresa começa em São Francisco sua conferência anual para desenvolvedores, que atrai especialistas em tecnologia do mundo inteiro. No pré-mercado, a ação subia 0,25%.