12/01/2006 - 8:00

Hora de arriscar? Queda dos juros incentiva apostas em ações e fundos de hedge. Mas a renda fixa ainda é ótima alternativa
Quatro cortes seguidos na taxa de juros desanuviaram, em parte, o ambiente econômico pesado que marcou 2005. Na primeira semana de janeiro de 2006, diante do anúncio que o ciclo americano de juros pode estar chegando ao fim, a Bolsa de São Paulo reagiu e apresentou um novo recorde, com 34.540 pontos. O risco Brasil atingiu o menor patamar da história: 298 pontos. A inflação, de sua parte, promete ficar comportada dentro da apertada meta de 4,5%. São indícios de otimismo rumo ao almejado investment grade. Mesmo com tudo isso, os índices de confiança na economia oscilam ao ritmo do nervosismo do mercado. Por que? Porque novos capítulos da interminável crise do mensalão são esperados para os próximos meses e, sobretudo, porque há eleições presidenciais marcadas para outubro. Lembre-se: os traumas deixados por 2002 ainda estão frescos na memória. ?A má notícia é que teremos uma eleição dura, possivelmente de baixo nível?, prevê Luis Fernando Lopes, economista-chefe do banco Pátria. ?A boa é que este governo não fará maluquices nem antes nem depois da eleição?. Com ou sem caneladas políticas e derrapadas econômicas, a incerteza será o ingrediente definidor das apostas financeiras em 2006.
Nas próximas páginas, DINHEIRO oferece um guia para uma navegação segura, porém rentável, nestas águas turbulentas. Fundos blindados contra o risco para quem só quer sombra e água fresca. Aplicações tipo tarja preta para os amantes de emoções fortes. E, entre estes dois extremos, as boas opções de investimento da renda fixa além dos tiros certeiros na Bolsa. E mais: previdência privada e mercado imobiliário.
Consulte qualquer gestor de recursos sério, e ele desaconselhará mudanças bruscas na estratégia de investimentos. ?A queda dos juros será lenta, gradual e segura?, diz Dorio Ferman, presidente do Banco Opportunity. Mais uma vez, as aplicações mais conservadoras parecem suficientes para proporcionar retornos apetitosos. ?O investimento que estamos recomendando como mais seguro é nos fundos de renda fixa?, diz Sérgio Oliveira, diretor executivo do Bradesco.
Por outro lado, os fundos de hedge ? que apostam simultaneamente em diversos ativos e lançam mão de derivativos ? voltarão a ganhar espaço. Tanto a rentabilidade como o patrimônio da categoria devem aumentar com a queda dos juros. O que serve de argumento para reforçar a posição da Santander Banespa Asset Management, para quem o produto de melhor valor para o investidor não profissional é justamente o multimercado. ?Os fundos que atuam simultaneamente em vários mercados são mais ágeis?, justifica Edvaldo Morata, diretor executivo da empresa.
Se escolher o fundo certo dá frio na barriga, que tal a adrenalina de encarar os mais espertos colecionadores nos leilões das venerandas Sotheby?s e Christie?s? Quem tem apetite para o desafio encontra truques para se dar bem nas duas melhores casas do ramo à página 76. Difícil mesmo, porém, será por as mãos no ativo mais disputado de 2006: o hexa na Copa do Mundo.