Mais do que nunca, a Hewlett-Packard faz justiça à marca Invent, que agregou ao seu nome cerca de dois anos atrás. Pelo menos aqui no Brasil. A subsidiária brasileira de uma das maiores companhias de tecnologia do mundo decidiu abusar da criatividade para potencializar seus negócios. Para começar, torna-se uma das poucas filiais a atuar no competitivo mundo financeiro. Graças a investimento de mais de R$ 40 milhões, estará até maio iniciando as operações do Banco HP, uma instituição que funcionará na sede da empresa em Barueri (SP) oferecendo financiamento para aquisição de seus produtos e serviços aos clientes de áreas como telecomunicação, energia e varejo. ?Poderemos dar vantagens como taxas mais baixas que as praticadas no mercado e agilizar a concessão do crédito?, explica o presidente Carlos Ribeiro. ?Assim, fornecemos a solução completa.? Em 2001, a HP ingressa ainda no segmento de computadores para uso doméstico. Para o executivo, a expansão do acesso à Internet e uma tendência de queda no nível de contrabando das máquinas justificam a decisão da empresa. ?Os consumidores de PCs estão procurando equipamentos de boa qualidade?, defende Ribeiro.

Segundo a Dataquest, empresa de pesquisa na área de tecnologia, o Brasil consome anualmente perto de três milhões de computadores, sendo que o segmento corporativo representa 75% desse total. Do volume de PCs, apenas 20% não é contrabandeado. Ou seja, dos cerca de 800 mil computadores pessoais vendidos por ano, 160 mil saem do mercado formal. ?Achamos que a compra de equipamentos não contrabandeados irá crescer?, reforça. Para fortalecer a presença nesse setor, a HP Brasil repetirá a estratégia usada na área de impressoras, onde toda a produção é terceirizada. ?Nós cuidamos do desenvolvimento do produto, do marketing, do suporte e da distribuição.? Hoje, as impressoras a jato de tinta e a laser da companhia são montadas nas fábricas locais da Solectrum, SCI, Flextronic e outras. Para este ano, a empresa já reservou outros R$ 40 milhões destinados ao desenvolvimento de novos produtos e soluções e à área de marketing.

Ao considerar os resultados da subsidiária no ano passado, é possível antecipar que a estratégia traçada por Ribeiro está correta. Enquanto a receita do grupo cresceu menos de 15% em relação a 1999, a filial brasileira comemora uma alta nas vendas próxima a 60% no mesmo período. Para o diretor de tecnologia da informação da AT Kearney, Luiz Carlos Ciocchi, a trilha seguida pela HP é exemplar. ?A empresa sabe aproveitar bem todas as oportunidades que o mercado apresenta?, resume.