29/11/2006 - 8:00
Ele nasceu em São Paulo em 1656. Único filho varão de um próspero comerciante da prata, foi enviado a Salvador para estudar. Lá fez teologia. Já era padre quando se apaixonou por uma índia com quem teve uma filha. Com a carreira religiosa comprometida, voltou para a casa da família, em Araçariguama (SP), para tocar a fábrica de ferramentas do pai. Passou de aspirante a jesuíta a negociante de sucesso. E assim teve início a saga empresarial de Guilherme Pompeu de Almeida, um personagem do século XVII que se transformou no grande financiador do ciclo de mineração no País. Eis o protagonista de ?O Banqueiro do Sertão? (editora Mameluco, R$ 170), a nova aventura biográfica de Jorge Caldeira. ?É um personagem fascinante, que revela a existência de uma intensa rede de relações econômicas na colônia que não consta dos livros de história?, diz Caldeira. Com sua nova obra, o autor retoma a trilha iniciada com ?Mauá ? Empresário do Império?. Trabalhos que contam a história econômica através de seus empreendedores.
O padre Pompeu de Almeida tornou-se ?banqueiro? ao emprestar ferramentas aos seus parentes ?indianizados? que exploravam a prata de Potosí, no Peru, e depois o ouro das Minas Gerais. Na volta, deixavam parte da mercadoria como pagamento. Em Araçariguama, esse metal virava moeda. Igrejas foram construídas, colégios levantados e até um palácio foi erguido pelo empreendedor. Com o ouro que recolhia dos garimpeiros, o padre comprava gado para alimentar os mineiros. O investimento voltava triplicado. Ao fim da vida, sua fortuna era estimada em mais de 140 quilos de prata lavrada. E tudo foi deixado de herança aos jesuítas.
Apesar do seu papel na construção da economia do ouro, Pompeu de Almeida foi praticamente esquecido. Para resgatá-lo, Caldeira contou com o apoio do Itaú-BBA, que financiou a pesquisa em instituições do Brasil, do Peru, da Argentina, de Portugal e da Espanha. O livro vem dividido em dois volumes. O primeiro, ?Mulheres no Caminho da Prata?, dá ao leitor o contexto histórico do século XVII. A rota do contrabando da prata e a tradição tupi, vivida pela família do padre, são esmiuçados. O segundo volume, ?Padre Guilherme Pompeu de Almeida?, traz a biografia do personagem. Ao todo, são mais de 1,2 mil páginas. ?Foi um trabalho mais difícil do que Mauá, porque os registros eram muito mais escassos?, diz Caldeira. O resultado pode ser conferido a partir desta semana nas principais livrarias do País. ![]()