SORRIA, VOCÊ ESTÁ SENDO filmado. Essa frase já se incorporou ao dia-a-dia das pessoas que transitam por lojas, edifícios comerciais e até mesmo igrejas e cemitérios de diversas cidades brasileiras. E não é para menos. Existem nada menos que um milhão de câmeras espalhadas de norte a sul do País. E esse verdadeiro Big Brother coletivo cresce na razão direta do aumento da sensação de insegurança por parte da população. Para alegria das empresas que comercializam e fazem a gestão de sistemas eletrônicos de vigilância e controle. Um setor cujo faturamento avança na faixa de 13% ao ano e deve fechar 2008 com receita de US$ 1,4 bilhão, de acordo com a Abese ? entidade que congrega as companhias do setor. Isso fez com que o comando da Telefónica, baseado em Madri (Espanha), resolvesse ?soltar as amarras? de sua subsidiária Telefónica Engenharia de Segurança (TES) no Brasil. Agora, a TES se prepara para dar seu maior salto: a venda de um alarme residencial. O equipamento funciona a partir de um aparelho telefônico comum, acoplado a um sensor de presença conectado a uma central de monitoramento. O produto foi desenvolvido pela equipe local da TES e será produzido por fabricantes israelenses. A venda começa no primeiro trimestre de 2009 e marca a entrada da Telefónica no promissor mercado de vigilância doméstica.

Algo inédito na corporação em termos globais. Até antão, a TES operava apenas com clientes corporativos. O novo sistema é uma das marcas da gestão de Reinaldo Rodríguez no cargo de diretor-geral da subsidiária brasileira. O executivo, contudo, terá de se contentar de ver à distância a implantação do projeto. Isso porque ele acaba de ser promovido ao posto de diretor da TES para a América Latina e passará a dar expediente na capital espanhola. A ascensão meteórica deve-se ao trabalho iniciado em meados de 2006. Ele assumiu a filial com carta branca para fazer as mudanças necessárias para tornar o negócio menos dependente da Telefonica. ?A divisão operava de forma antiquada e sem vocação para explorar um segmento em franca expansão?, recorda. Isso, segundo ele, ficava evidente no perfil do faturamento cuja maior fatia (60%) era obtida com serviços para a própria Telefónica.

Hoje, a ?nave-mãe? colabora com apenas 12%, enquanto o restante vem de contratos com empresas do porte de Magazine Luiza, Bradesco, Banco Santander, McDonald?s, Accor e Novartis. No total, a TES possui cerca de 40 mil câmeras espalhadas por 50 clientes de todas as regiões do País. Rodríguez não revela o faturamento da subsidiária, diz apenas que sua expectativa é fechar o ano com uma receita 100% maior em relação à obtida ao ano passado. Para 2009, a companhia já tem garantido outro contrato de peso. Trata-se da instalação de 160 câmeras de monitoramento para a Polícia Militar do Estado de São Paulo. A vitória nessa concorrência reforça o domínio da TES no mercado paulistano, onde já possui contrato semelhante com a Guarda Civil Metropolitana. ?O nome Telefónica abre portas?, reconhece o executivo. Ele destaca, porém, que, além da grife, a divisão foi bem-sucedida porque apostou em serviços diferenciados, tais como o monitoramento de espaços críticos, como câmaras frias e alto-fornos siderúrgicos, equipamentos caros e que necessitam de supervisão contínua. ?Para se dar bem nesse setor é preciso ir além da câmera de segurança e do sensor de presença?, destaca o executivo.